Brilho, talento e diversidade: Conheça os destaques da cena Drag do RN

Se antigamente a arte drag, nos idos dos anos 90, estava ligado aos guetos e a clubes LGBTQ+ com pitadas de marginalidade hoje a realidade é bem diferente, o movimento é um dos maiores patrimônios da cultura pop contemporânea e coleciona estrelas com milhões de seguidores nas redes e programas com legiões de fãs mais que fieis.

Ainda que menino se vestindo de menina seja comum durante a história da humanidade e preceda muito os anos 90 a origem do nome “drag queen” é envolta a mistérios e lendas. Alguns acreditam que o termo surgiu no século 19 como forma insultuosa de tratar rapazes gays que trabalhavam com arte. Acredita-se que ainda no século 19 o termo “drag queen” surge pelas primeiras vezes para tratar especificamente qualquer garoto que se vista de mulher com propósito artístico.

Outra vertente sobre os mistérios do surgimento da “drag queen” credita a Shakespeare a criação do termo. Já que nos seus textos contia a rubrica “drag” para designar personagens femininos encabeçados por homens, nesse caso o termo deriva do verbo “to drag” que significa arrastar, uma alusão aos longos vestidos dos figurinos que normalmente arrastavam no palco.

Independente dos folclores do termo a sobrevivência da drag no decorrer dos séculos prova o seu valor com movimento artístico e os grandes nomes que despontam nos registros históricos são provas irrefutáveis disso. Seja Frederick Park e Ernest Boulton que interpretavam as famosas Fanny e Stella no teatro vitoriano, ou a grande estrela do cineasta John Waters, a drag queen Divine (conheça aqui), ou seja atualmente com a apresentadora e atriz Rupaul, todos com valiosas contribuições para a história da arte.

Mas, é inegável que a responsabilidade da grade explosão e popularização da arte drag nos dias atuais é o reality show RuPaul’s Drag Race que chega a sua décima temporada com três Emmys de melhor apresentador de reality show para RuPaul. E é desse programa que sai grandes nomes da arte como Bianca Del Rio e Sharon Needles, como também de drags que despontam no cenário musical como Alaska Thunderfuck e Adore Delano.

No Brasil, não podia ser diferente e o movimento drag vem crescendo e ganhando nomes de peso e que aos poucos ganham visibilidade e se tornam referências para outros artistas do mundo. É o caso da cantora Pabllo Vittar que despontou em 2015 ao lançar seu primeiro single “Open Bar”, chegando a atingir o topo das listas mais tocadas em diversas plataformas de streaming online. Mas, Pabllo Vittar não foi a única a quebrar barreiras e se fixar na música, nomes como Gloria Groove, Lia Clarck e Kaya Conky também senguem trajetórias ascendentes na indústria fonográfica.

O mesmo sucesso e fenômeno chegou ao Rio Grande do Norte que conta com um terreno fértil de novos artistas com talentos multifacetados seja na música como a também cantora Kaya Conky, seja na comédia como Ciara LeGlam ou na arte performática como Cristal Jane Pervenche. O Apartamento 702 reuniu algumas dos mais proeminentes nomes da arte drag do estado. Confira a lista abaixo.

Kaya Conky

A convite de Pabllo Vittar, em maio deste ano, Conky fez uma participação no clipe de Hasta La Vista da Coca Cola, uma colaboração com nomes da música como Luan Santana, Simone e Simaria e a própria Pabllo. Atualmente Kaya é uma das maiores promessas da música LGBTQ+ da atualidade, está lançando a terceira faixa de segundo EP e é a mais nova entrevistada do IGTV do Apartamento 702 – assista aqui.

Ciara LeGlam

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Ciara é um dos maiores nomes da noite natalense e ganha vida através de Leôncio Barreto. Trabalha em sua maior parte do tempo como DJ e Hostess de grandes eventos e acaba de lançar seu novo projeto, o show de Stand Up “Ciara em pé”.

Cristal Jane Pervenche

Cristal Jane Pervenche é uma personagem que ganha vida por meio de Marcos Paulo, de 20 anos, nascido e criado na cidade de Caicó, interior no interior do estado do RN. Se montou a primeira vez como drag queen em março de 2015 e atualmente trabalha como DJ e perfomer em casas como Casanova, Engima, Vogue, Ateliê entre outros.

Ametista China Wolf

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Ametista nasceu há pouco mais de 1 ano, em 6 de junho de 2017, quando foi montada pela primeira vez por sua amiga que também é drag Queen, Kaya Conky. Ela sempre sonhou em se montar e sempre esteve presente nesta cena, acompanhando o trabalho de drags locais desde o início, mas foi conhecendo cada vez mais de perto cada uma delas que a vontade de dar vida a Ametista foi se concretizando, pois essa cena local foi e continua sendo a maior inspiração.

Lola Bardo

Há mais de 2 anos vem desenvolvendo o trabalho como drag queen nas noites natalenses. A Lola surgiu através de movimentos artísticos e culturais que teve contato entre a adolescência e a vida adulta. Criou um personagem para a Quadrilha Comédia Atravantour – quadrilha que fundou e presidiu com ajuda de amigos nos anos de 2014 e 2015. A pessoa por trás da Lola se chama Douglas, tem 22 anos e está na graduação de Licenciatura em Dança na UFRN. Lola foi indicada ao Oscar Junino. Concorreu na categoria Dama da Diversidade e através do voto popular foi a grande campeã.

Potyguara Bardo

Natural do Rio Grande do Norte Potyguara encontrou em RuPaul um caminho para criar sua voz artística. Possui um trabalho forte na música potiguar que vem acompanhando de uma valiosa mística política e contraversora. Acaba de lançar seu álbum de estreia intitulado “Simulacre” já disponível no Spotify aqui.

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Henrique Avelino
Jornalista, escreve sobre moda e comportamento; é aficionado por arte e cinema e acredita no poder transformador dos livros, do plástico bolha e de uma boa xícara de café.

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