BRIDGERTON: Netflix revisita tudo que há de mais açucarado de maneira inovadora em sua nova série

Tente imaginar que a Jane Austen assistiu “Gossip Girl” e – após voltar no tempo – escreveu uma história em que mistura o melhor do seu romance de época a tudo que há de fresco, jovem, cheio de intrigas e fofocas, da extinta série de televisão americana. Esse é o caminho mais fácil de se oferecer um panorama geral a respeito da nova produção da Netflix, Bridgerton, que estreou na semana do natal (25 de dezembro) na plataforma da gigante do streaming.

A produção leva a assinatura de uma das mais renomadas showrauners da televisão americana, Shonda Rimes, responsável por sucessos como Greys Anatomy e Scandal. E seu DNA assertivo – e já reconhecido – na condução dos seus projetos está presente no seu mais novo trabalho. Bridgerton é uma série impecável em sua composição geral, valor exigido com rigor de todas as obras que saem da “Shondaland”, produtora e casa de criação da Rimes.

Bridgerton acompanha a história de uma família aristocrata do século 18 que dá nome a série, mais especificamente a história de Daphne Bridgerton, interpretada por Phoebe Dynevor, a próxima jovem da família Bridgerton a ser apresentada a sociedade como disponível para um casamento. A apresentação da jovem é realizada através dos inúmeros bailes que acontecem na alta sociedade, assim os homens solteiros se apresentem às garotas e suas famílias, levando a eventuais pedidos de casamento, decidindo de maneira pragmática e beirando a acordo mercadológico – quase que sem nenhum envolvimento romântico – os futuros das jovens garotas.

É nesse cenário que Daphne Bridgerton se vê envolta a uma trama complexa e fortemente açucarada com seus possíveis pretendentes que vão desde indesejáveis e detestáveis personas da sociedade, a príncipes e duques, esse último acaba se tornando seu nêmeses – o Duque Simon Basset (Regé-Jean Page), um proeminente jovem de família rica que não quer se casar e nem ter filhos, a fim de não dar continuidade a linhagem de sua complicada família.

A trama que se parece e muito com “Orgulho e Preconceito” da Jane Austen é, na verdade, inspirada na série de livros dos anos 2000 da escritora nova-iorquina Julia Quinn, a primeira temporada da série se baseia no livro “O Duque e Eu”. Porém, toda essa trama que parece demasiadamente romântica e doce na verdade aposta em muitos elementos que trazem frescor e contemporaneidade a produção.

Um desses elementos é o ponto de semelhança com a série “Gossip Girl”, ambas produções possuem um personagem oculto que sabe muito sobre tudo que acontece entre os seus personagens e divulga isso através de informativos. Como Bridgerton se passa no século 18 a forma que espécie de Garota do Blog da série – Lady Whistledown – possui para que informe sua comunidade é um jornal semanal. Essa personagem que narra toda a história (quem empresta sua voz é a Julie Andrews) acaba dando muita dinâmica a narrativa, servindo inclusive como alívio cômico, muitas vezes.

Apesar de uma produção de época parecer desinteressante para grande parte do público jovem Bridgerton alcançou bastante sucessos e número que já impressionam a Netflix, muito desse sucesso se deve ao fato da série reescrever a história mundial e adicionar brilhantemente um elenco negro em papéis de destaque na sociedade, bem como aplicar covers de músicas atuais ao estilo clássico e erudito.

Bridgerton conta em seu elenco com nomes como Adjoa Andoh como Lady Danbury, Lorraine Ashbourne como Mrs. Varley, Jonathan Bailey como Anthony Bridgerton, Visconde Bridgerton, Ruby Barker como Marina Thompson, Sabrina Bartlett como Siena Rosso, Harriet Cains como Philippa Featherington, Bessie Carter como Prudence Featherington e Nicola Coughlan como Penelope Featherington.

Bridgerton traz uma narrativa fortemente inovadora em sua condução e uma perspectiva um pouco mais jovem do que as outras histórias de romance aristocratas e de época, mas falha em se aprofundar nos temas paralelos como os problemas do Duque Simon, deixando assim todo o destaque para as histórias demasiadamente melosas. Ainda assim, com a possibilidade de sua continuação, podemos receber a primeira temporada como uma grande apresentação de trama e de personagens, algo que se cumpre bem. Bridgerton consegue se conectar com maestria com aquele lado romântico que existe escondido em cada um de nós, açucarado e cheio de suspiros.

Assista ao trailer:

 

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Henrique Avelino
Jornalista, escreve sobre moda e comportamento; é aficionado por arte e cinema e acredita no poder transformador dos livros, do plástico bolha e de uma boa xícara de café.

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