[Crônica] Sobre o Tinder

O Tinder veio pra facilitar a existência de muita gente. Eu nem digo isso só porque uma semana no Tinder pode ser quase a mesma coisa de uma noite no Carnatal (ou até mais, se a velocidade de disparo do indivíduo for estilo metralhadora), é bem o contrário: se antes o Tinder era um aplicativo só de paquera, hoje ele é muito – muito mesmo- mais que isso.

Ainda não vi o Tinder celebrando casamentos, mas já soube de quem comprou cachorro, alugou apartamento, arranjou vaga de emprego e reecontrou parente, tudo pelo Tinder. Isso sem contar com a quantidade de programas do Casos de Família que o aplicativo podia render, né?

Mesmo assim, de longe, a função mais importante do Tinder continua sendo exatamente a de sempre. O aplicativo pode até ter dado dor de cabeça pra muita gente (ou ter feito uma pessoa ou outra perder o juízo), mas a gente não pode negar que ele fez um serviço muito grande para todas as pessoas solteiras, especialmente quem tem timidez.

Pelo Tinder, quem não consegue chegar, chega, quem não tinha coragem de falar, fala, quem queria conversar, conversa, quem não conheciam conhece, e quem não seduzia, seduz (ou tenta). Talvez digam um dia que o Tinder contribuiu para a evolução da espécie humana…

Afinal, nunca se sabe as consequências desse aplicativo para o futuro da humanidade (?).

Isso sem falar naquele aumento da autoestima que vem quando você dá um like-vai-que-cola naquela pessoa que você acha que nem ia te olhar no meio da rua e, surpreendentemente, ela também dá um like em você. Não tem coisa melhor. Tem?
E receber um superlike? A pessoa que te deu pode até parecer um demônio, mas o efeito continua maravilhoso de qualquer jeito. A autoestima chega fica 2 cm mais alta depois de um desses.

É claro que o aplicativo também semeou muita discórdia por aí. Em fim de namoro (e durante também), a pior coisa do mundo é ouvir aquela frasezinha maravilhosa “ei, sabe quem eu vi no Tinder?”. Imagina a reação do Ximbinha (agora é com x mesmo) se ele descobre que Joelma tá procurando fazer as pazes com a lua por lá?

Mesmo assim, no fundo, no fundo, não tem nada mais triste do que a decepção daquele match que você vai procurar e não encontra mais, porque a pessoa se (“arrependeu”) deu like por engano, foi lá e descombinou…

Mas, acima de tudo, a gente não pode esquecer de usar o aplicativo com segurança, responsabilidade e bom senso. Não ouvi falar ainda de alguém que tenha sido muito prejudicado com o Tinder, mas é sempre bom dar uma stalkeada investigativa na pessoa pra saber da procedência. Também não precisa de paranoia, muito menos ir atrás da ficha criminal, basta ter um pouco de juízo, e bom senso pra não fazer o que não deve, né?

Ah, uma dica: o Tinder ainda pode ser muito útil para quem tá afim de testar a habilidade com “”línguas”” idiomas estrangeiros ou tentar arranjar um rolé gringo (nunca se sabe). Basta baixar um aplicativo de GPS fake (tem vários por aí, tanto pra Android quanto pra iPhone, só procurar) e mudar a localização. Desse jeito, em segundos quem tá aqui em Nova Descoberta pode, literalmente, chegar em Nova York ou na Nova Zelândia.

Mas e aí? Deu match?

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Raul Rodrigues
Escritor asmático tentando sobreviver ao curso de Direito da UFRN. Ativista de Direitos Humanos incapaz de viver sem livros, perdidamente apaixonado por história e diferentes culturas. As vezes tenta cozinhar. Nem sempre consegue.

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