Dasta & The Smokin’ Snakes é a única banda brasileira em coletânea da gravadora americana Wild Records

Lançada no último domingo, a coletânea “YOUNG BREED” da gravadora americana Wild Records traz 17 bandas de quase todos os continentes do mundo, como México, Austrália, Japão, Holanda, Canadá, Escócia, Finlândia, Alemanha, tendo como único representando Sul Americano e único Brasileiro, Dasta & The Smokin’ Snakes, banda de Natal-RN (cujo membro fundador junto com Dasta, Ramis Al Bud, é de São Paulo-SP), sendo a única banda a fazer parte de um selo/gravadora estadunidense na história do Rockabilly brasileiro.

“O primeiro Albúm de Dasta & The Smokin’ Snakes foi lançado pela WILD Records e recebeu grande aclamação da crítica, e as faixas apresentadas nesta coletânea são absolutamente deslumbrantes. Este álbum vai ser distribuído mundialmente, a prensagem original será de 10.000 cópias que esperamos esgotar nos primeitos meses, levando a novas prensagens. Dasta & The Smokin’ Snakes são sem dúvida uma banda muito bem cotada em todo o mundo, estamos muito orgulhosos de tê-los na gravadora, ansiosos por muitos trabalhos com eles”, disse Reb Kennedy,Reb Kennedy, Fundador e Diretor da Wild Records, sobre a participação da banda no disco.

A banda potiguar assina duas das 30 faixas do álbum, que está disponível em formato CD para venda no site da Wild Records USA (www.wildrecordsusa.com) e no da Wild Records Europe (www.wildrecordseurope.com), uma espécie de sucursal da WILD no continente Europeu que tem o belga Tom Calleeuw a frente. A coletânea é item urgente para fãs de Rockabilly, Rock em geral e música independente.

Aproveitamos esse momento de lançamento, para conversar um pouco com o Dasta sobre a banda, os projetos futuros e desafios de ter uma banda de rockabilly em Natal. Se liga só:

– Dasta, como começou sua paixão pelo rockabilly?

Desde boy quando tive os primeiros contatos com rock através dos discos LP do meu pai que minha preferência eram as primeiras gravações de Elvis Presley, mas eu não sabia que aquilo era Rockabilly ou Rock’n’Roll pq eu tinha uns 06 anos, no primeiro contato. Meu pai ouvia de tudo, mas aquilo tinha um magnetismo pra mim que eu não controlava. Mais tarde, já mais taludinho, tive contato com CDs, coletâneas de rock antigo, onde ali já apareciam outros artistas dos anos 50. Em 1997 eu comecei a usar topete, deixar as penugens nas costeletas e a buscar incansavelmente esse tipo de som em lojas, sebos, bancas e onde eu conseguisse achar. Mas foi só com a internet que eu consegui saber que o nome daquilo que eu já amava era Rockabilly e que existia um mundo de cultura ao redor disso pelo mundo.

Foto de arquivo da família

– Como é ter uma banda de rockabilly em Natal e no Brasil?

No Brasil, ali pelo eixo sul-sudeste, é algo mais aceito e difundido pq já rola um movimento desde o final dos anos 70, né? Muitas bandas, muitos eventos, história já. Aqui em Natal, desde essa época existiam alguns lobos solitários como Fonzie, Léo, Edmundo, Ruy Lima, mas assim pra vestir a camisa mesmo e meter as caras de fazer banda levantando a bandeira do gênero musical e da cultura como um todo, só depois da minha primeira banda, o Rebelviz e os nossos amigos da banda Os Bonnies, que fizemos as primeiras Festas Rockabilly aqui em Natal no Início dos anos 2000. A galera se conheceu pela internet, na época do antigo mIRC e começou um movimento na época que todo mundo era adolescente e tinha uma adesão fuderosa na época. Uma festa Rockabilly, com entrada paga, na época no antigo Budda Pub era lotação total pra aquele espaço pequeno, no mínimo 300 pessoas dentro e mais umas 200 fora, faltava pra quem queria, era algo massivo. Hoje em dia todo mundo já em outra fase e por não ter uma banda de Rockabilly formada por adolescentes aqui, o publico não é tão grande, mas sempre fiel. Em outras regiões posso citar tb a banda Dry Martinis de Manaus-AM e aqui no Nordeste Joanatan Richard(Caruaru) e a banda Allycats(Recife) em Pernambuco e Toddy’s Trouble Band em Aracaju-SE. Seguimos resistindo.

– Apesar das dificuldades, este de 2020 a banda conquistou importantes marcos. Fala um pouco pra gente sobre o que rolou.

É verdade. A pandemia estragou alguns planos, mas, o universo conspirou a nosso favor. Tivemos a grata surpresa de termos uma das nossas musicas autorais solicitadas para ser fundo musical de uma propaganda do site inglês BET 365, sendo exibido no Reino Unido, Alemanha, Suécia e Espanha, algo inédito para bandas de Rockabilly do Brasil. Certamente uma ótima vitrine para a banda, não só no universo Rockabilly, mas, ampliando para vários públicos na Europa. Outra grata surpresa foi a indicação pelo prêmio Hangar de Música, um reconhecimento local importante, na categoria CD do ANO. Não ganhamos, mas só em estar ao lado de trabalhos de alto nível como foi, e estar num TOP 5 da música potiguar, já é bastante gratificante pra nós e traz uma boa visibilidade para a música Rockabilly no Estado.

– Antes da pandemia vocês estavam se organizando para sair em turnê para a Europa, mas veio a pandemia e bagunçou tudo. No entanto, mesmo assim a música de vocês conseguiu chegar ao público europeu e está como trilha de um comercial. Conta pra gente como surgiu o convite para esta participação.

Então, a pandemia chegou moiando tudo né? mas… já que não fomos à tour, a tour veio até nós, né? (risos). Uma agência caça talentos francesa responsável por descobrir talentos de música independente estava pesquisando entre bandas de Rockabilly do mundo alguém que soasse como um dos nossos maiores influencias, o Charlie Feathers. Aí deram de cara com a autoral nossa “You Hurt Me So” e rolou o convite. A gente tá lá rolando pela Europa desde Outubro de 2020…mais tempo do que teria durado a tour. (risos)

– Em 2020 você lançou uma coletânea mundial de rockabilly que traz artistas rockabilly que se posicionaram antifascismo e anti racismo. Como foi a repercussão desta coletânea com o público?

Vixe, essa daí deixou muita gente orgulhosa e com esperança de uma cena mais consciente e incomodou uma pequena fração conservadora da cena, que insiste no erro de achar ter estilo vintage é ter comportamento retrógrado. Isso é uma distorção que temos obrigação de corrigir pq não tem nada a ver. O Rock’n’Roll por si só é agregador, nasceu nos jukejoints lá nas periferias de cidades nos Estados Unidos onde todas as pessoas excluídas das cidades se reuniam, dentre elas pessoas menos favorecidas financeiramente de todas as cores, imigrantes, homossexuais, foras da lei, enfim, é e sempre foi algo revolucionário e nós viemos reclamar essa posição progressista do Rockabilly e seus congêneres. Na coletânea tem banda do Brasil, México, Argentina, Colômbia, Inglaterra, Estados Unidos, enfim, de vários lugares, que se identificavam com o Antifascismo e Antiracismo e quiseram aderir. Está disponível em todas as plataformas e foi lançada pelo selo Reverb Brasil.

– O álbum “Get Wild or Get Gone”, lançado em 2019, foi indicado ao Prêmio Hangar de Música, com o CD do Ano e também foi indicado no Prêmio Gabriel Thomaz de Música Brasileira. Como é pra vc ver esse reconhecimento do trabalho de vocês!

Fico feliz demais pq esse álbum foi gravado com muito amor e cuidado com a qualidade e nas mensagens disfarçadas de simples músicas sobre amor, ter esse reconhecimento nacional e local, além das criticas internacionais, só instiga em fazer cada vez mais, procurar gravar as músicas autorais que ainda estão em versão demo e principalmente continuar fazendo com o único objetivo de expressar todo o amor por tudo isso e o grito de libertação que é fazer rock’n’roll.

– O que o público pode esperar como novidade por aí?

A novidade quentíssima, em primeira mão, é a nossa participação na coletânea do selo que fazemos parte, a WILD Records, chamado “The Wildest: YOUNG BREED – volume 3” que foi lançada ontem . É uma honra participar com duas músicas, das 30 da coletânea, pq as edições anteriores consolidaram na cena Rockabilly internacional vários outros artistas e bandas do selo. O disco está imperdível para qualquer fã de música independente, Rock em geral e Rockabilly! É literalmente um raio-X do que tem de mais atual na cena mundial, são 17 bandas, todas da WILD, de vários países do mundo. Além disso, as pessoas podem esperar alguns lançamentos de Singles nas plataformas e shows por streaming. Esse será nosso foco esse ano, até que todos estejam vacinados e seja possível voltar a circular por aí fazendo shows e de volta ao normal normal, não esse novo normal aí.

Foto: PAT SERAFIM

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Cecília Oliveira
Cecília Oliveira é Comunicadora Criativa e Produtora Cultural, atua comunicando projetos artísticos na cidade do Natal há dez anos. É gorda power, a mil por hora, apaixonada por glitter, cachorros e fotografia.

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