9 grupos de teatro (e atores) que atuam em Natal e você precisa acompanhar

Dia 19 de agosto, terça passada, não foi apenas o dia mundial da fotografia, como também o Dia do Ator de Teatro.

O ator tem a difícil função de não só entreter, mas de nos fazer refletir. Além disso, enfrenta todas as dificuldades ligadas a viver da sua arte num país como o Brasil e numa cidade como Natal, que tantas vezes encara o teatro apenas como um hobby e não como uma profissão.

E como no nosso apê sempre separamos um lugar especial para todo tipo de arte e cultura, resolvemos fazer uma seleção com alguns grupos e atores locais que valem a pena não só conhecer, como acompanhar seus trabalhos dentro e fora do palco.

1. Titina Medeiros

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Nascida em Currais Novos, Titina está nos palcos muito antes de ser selecionada para a novela “Cheias de Charme”. Sua estreia nos palcos aconteceu na verdade no ano de 1992.

Sempre presente na cena artística natalense, Titina fazia parte do Grupo Tambor entre os anos de 1996 e 98, onde encenou “O Príncipe do Barro Branco”, e “Brincadeira de Bolso”.

Depois do Tambor fez trabalhos avulsos, trabalhou em Autos e começou a participar de espetáculos do Clowns de Shakespeare a partir de 2003. Com o grupo fez: “Dos Prazeres e Dos Pedaços”, “Muito Barulho por Quase Nada”, “Roda Chico” e “Sua Incelência, Ricardo III”. Neste último interpretou o papel da Rainha Elizabeth e foi neste espetáculo que chamou à atenção da Globo.

Nesse meio tempo também integrou o grupo Carmim, com o qual montou o espetáculo “Pobre de Marré”.

02. Quiteria Kelly e o Grupo Carmim

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Quitéria Kelly (que recentemente trocou o nome do Facebook para Quitéria Lucena e deixou meio mundo confuso) é uma das atrizes mais criativas da cidade. Ela é nascida em João Pessoa, tem um pé lá na França, mas mora mesmo em Natal. Kelly (agora Lucena) é tão chique, que tem até um verbete no IMDB (Internet Movie Database), que cita a participação no filme “O Homem que Desafiou o Diabo”, do Moacyr Góes, baseado na obra de Nei Leandro de Castro.

Conhecida pelas más línguas como “Bactéria Kelly”, ela estrelou algumas das melhores peças que já assisti em Natal: “Pobres de Marré” com Alessandra Augusta (mas que também já teve a Titina) e a atual “Jacy”, junto com o ator Henrique Fontes e o produtor audiovisual Pedro Fiuza. Duas produções que precisam ser vistas (isso dá até outra lista, heim).

As peças são obra do Grupo Carmim de Teatro, formado em 2007 pelas atrizes Quitéria Kelly e Titina Medeiros. Hoje conta com Henrique Fontes como colaborador fixo, além da atriz Alessandra Augusto. Eles se baseiam na temática urbana e social em seus textos, o Grupo produziu também a peça infantil “Castelo de Lençóis” que fala da exclusão e do preconceito de classe através de mitos e contos tradicionais da realeza.

03. Grupo Clows de Shakespeare

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O grupo foi fundado em 1993 e vem desenvolvendo um trabalho de pesquisa teatral, com foco na construção da presença cênica do ator, musicalidade da cena e do corpo, e teatro popular, sempre atento para uma visão colaborativa.

Os Clows utilizam sua própria perspectiva sobre um texto para criar um espetáculo singular. Para eles é fácil pôr um toque nordestino no texto de Shakespeare e fazer o público cair na risada com histórias que antes julgava cansativas.

Em mais de 10 anos de história, o grupo acumula importantes prêmios como: o Shell SP 2009, pelo figurino do espetáculo “O Capitão e a Sereia” e os APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) e FEMSA/Coca-Cola, ambos com o espetáculo “Fábulas”, para direção (Fernando Yamamoto) e ator (Rogério Ferraz), em 2007.

Além de ter se apresentado em mais de 80 cidades, o Clows tem um espaço próprio que sempre utiliza para mostrar o porquê de ser reconhecido fora do nosso estado, e cede para apresentações de outros grupos.

04. Bololô Cia. Cênica

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O Bololô foi fundado em 2009 e conta com os atores: Alex Cordeiro, Arlindo Bezerra, Luana Menezes, Paulinha Medeiros e Rodrigo Silbat.

Com o ideal de experimentações e de não rotular a sua arte, o grupo possui três espetáculos no seu repertório: “Todo Avental”, “Na Mesa com o Bobo” e “O Retrato do Artista Quando Coisa”. Esta última peça trata de maneira lúdica sobre a construção da vivência artística e a ressignificação de objetos abandonados, além de ter como fonte de inspiração a poesia de Manoel de Barros e a direção da Cia. Luna Lurena, de Belo Horizonte.

Com ela o grupo ganhou o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2011. Eles também foram selecionados no ano passado no edital “Natal em Cena” e fizeram uma excelente montagem chamada “Encruzilhada do Mundo ou Sobre a Areia e o Vento”, com dramaturgia de Luana Menezes.

A peça foi encenada gratuitamente nos bairros da cidade em dezembro do ano passado e, posteriormente, adaptada a palco italiano e encenada no Teatro Alberto Maranhão.

05. Arkhétypos Grupo de Teatro

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O Arkhétypos começou com o intuito de dar continuidade às produções artístico-culturais do “Grupo Arkhétypos” que atua nas áreas de extensão e pesquisa, produzindo espetáculos teatrais que almejam estabelecer relação entre a sociedade e o meio acadêmico.

Sempre utilizando um elemento da natureza como fonte de inspiração, o primeiro espetáculo do grupo teve a influência do elemento água e foi intitulado “Santa Cruz do Não Sei”. Já o segundo teve suas pesquisas norteadas pelo elemento terra e chama-se “Aboiá”. Com esta segunda produção o grupo foi contemplado com o Prêmio de Teatro Myriam Muniz 2012, da Funarte e levou o “Aboiá” para uma breve temporada de uma semana na Áustria em 2013.

Atualmente estão em cartaz com o seu novo espetáculo “Revoada”, terceiro processo do grupo inspirado no elemento ar e na obra “Conferência dos Pássaros” – conto de Farid Ud-Din Attar, sendo um mergulho nos espaços mais profundos do universo em busca da liberdade. A peça pode ser vista nos dias 23 e 24, 30 e 31 deste mês no Tecesol.

06. João Junior

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Ator natalense e formado em artes cênicas pela UFRN, atualmente mora em São Paulo.

Produziu um trabalho tendo sua própria migração como fonte de inspiração: a peça “Portar(ia) Silêncio” que conta a história de nove porteiros nordestinos radicados em São Paulo. No espetáculo João Júnior acumula as funções de diretor e ator.

Além de já ter apresentado em Natal, no Rio de Janeiro e em São Paulo, a peça ganhou o prêmio Myriam Muniz da Funarte em 2010 e foi indicada pela Folha de São Paulo como um dos melhores espetáculos do ano de 2011.

Hoje é diretor do Coletivo Estopô Balaio, grupo que vive uma residência artística junto aos moradores do Jardim Romano, zona leste paulistana.

O grupo estreou esse mês o espetáculo “A Cidade dos Rios Invisíveis” que leva o seu público em São Paulo da Estação Brás do metrô até a Estação Jardim Romano da CPTM. Lá os espectadores têm ainda uma imersão na realidade dos moradores e das suas experiências com a enchente.

O espetáculo conta ainda com mais dois atores potiguares: Ana Carolina Marinho e Juão Nin.

07. Teatro do Interrompido

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A Cia. de Arte – Teatro do Interrompido é formada pelos artistas Carol Piñeiro e Juão Nin, que apesar de trabalharem juntos desde 2008, só formaram a companhia oficialmente em 2012. Eles têm a intenção de não delimitar apenas a sua arte ao teatro, e sim defender o caráter híbrido de suas formações, juntando fatores como dança e música.

Apesar do grupo ser composto fixamente apenas por duas pessoas, eles sempre estabelecem parcerias a cada projeto desenvolvido.

A Cia. ministrou nos anos de 2012 e 2013 oficinas de iniciação teatral que foram finalizados com apresentações dos trabalhos desenvolvidos durante o curso.

Além disso, o seu repertório artístico conta com a cena curta “Dance Limbo Dance”, o espetáculo “Brutal”, o espetáculo “Não Pise na Dama”, o curta metragem “Ornamental”, entre outros.

08.  Atores à Deriva

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O Atores à Deriva nasceu em 2007, com uma peça bem interessante chamada “A Mar Aberto”, baseado no “Grandes Sertões Veredas” do Guimarães Rosa. O grupo foi montado pelo dramaturgo e ator Henrique Fontes, que também é responsável pela Casa da Ribeira, e um dos maiores incentivadores da arte aqui em Natal.

Uma das peças mais bacanas do grupo é um monólogo:a adaptação do conto “O Cobrador” de Rubem Fonseca. Eles têm hoje uma sede própria, e conta com atores formados em oficinas de iniciação teatral feita pela Casa da Ribeira.

09. Grupo Estação de Teatro

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O grupo foi formado em 2009 e carrega no seu elenco atores que trazem na bagagem a experiência dos bancos da Universidade e de Grupos de Teatro importantes da capital potiguar como o Tambor, o B7C e os Clowns de Shakespeare.

O primeiro trabalha como grupo foi a peça “Em Cada Canto um Conto” que ajudou a despertar nos integrantes o interesse em investigar a fundo a contação de histórias e as músicas populares, grande foco permanente do Estação.

Atualmente o grupo esta em com o projeto “Carava Estação Nordeste”, este tem o intuito de promover a circulação de dois espetáculos do grupo: “Guerra, Formigas e Palhaços” e o infantil “Estação dos Contos”.

Além disso, o Estação tem o intuito de fomentar o intercâmbio com outros grupos locais e ministrar em cada cidade a oficina “A Arte de Contar Histórias”. O projeto foi viabilizado em parceria com a Mapa Realizações Culturais, realizado através do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2013.

Observação: 

Lembrando que nossa listinha não tem a intenção de delimitar que só existem esses grupos/atores na cidade, muito pelo contrário, queremos incentivar todos a conhecerem melhor o que sua cidade oferece.

E afinal, vocês notaram algum nome que está faltando aqui? Só comentar (:

 

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Alana Cascudo
Publicitária formada pela UFRN e pós-graduada em MBA Gestão da Comunicação em Mídias Sociais pela ESPM. Cinéfila, notívaga, apaixonada por viagens, gastronomia e assuntos relacionados. Sofrendo constantemente de insatisfação crônica, intolerante à lactose e totalmente desequilibrada.

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