Depois do sucesso do seu álbum de estreia intitulado ”Quebra-Vento”, a artista potiguar Aiyra retoma parceria com o selo Dosol e apresenta um novo trabalho “Leve”, que será lançado nesta sexta-feira (25/03) nas plataformas de streaming.
Para quem ainda não conhece o trabalho da Aiyra, ela é percussionista, compositora, intérprete, pesquisadora e professora de percussão. Ativa na música do Rio Grande do Norte desde o ano de 2004, participou de grupos como Flor de Macambira, Banda DuGiba, Choro na Lua, Catita Choro e Gafieira, Elegia e seus Afluentes, Rastafeeling, Igapó de Almas, dentre outros. Além da música popular, Aiyra também possui atuação ligada à música erudita. Durante quatro anos ela integrou a Orquestra Sinfônica da UFRN e por dois anos fez parte da Orquestra Sinfônica do Estado do RN.
”Leve” é fruto de um processo criativo que se deu entre setembro de 2021 e janeiro de 2022, através da Incubadora DoSol. O novo álbum conta com produção musical do beatmaker paraibano Guirraiz, direção artística de Anderson Foca, coprodução de Aiyra e Yves Fernandes, além de participação de Ana Morena, no contrabaixo, e guitarras de Yuri Matias e Tal Pessoa, que também colaborou na composição de algumas canções ao lado da cantora.
Entrevistamos Aiyra com exclusividade sobre o álbum, pandemia e força feminina. Confira:
702: “Leve” envoca a força feminina que triunfa mesmo diante da opressão. De onde vem essa força em você e o que te inspirou a tocar nessa questão nesse novo trabalho?
Aiyra: Tanto a força quanto a inspiração para tratar esses assuntos, vem da minha percepção sobre um dos papéis que arte tem e com o qual eu mais me identifico, que é o de propor reflexões e inspirar mudanças, individuais e que possam refletir no âmbito social. Parece pretensioso talvez, mas entendo a arte como um agente que modifica a sociedade e que também se modifica em função dela.
702: Em ‘Por onde a gente for’ e “Ela vai triunfar” você fala sobre uma necessidade de descolonizar e abandonar um legado de opressão. Qual a importância de falar sobre isso no atual contexto que vivemos?
Aiyra: Ainda vivemos e, pelo cenário que temos hoje em dia, ainda viveremos tempos difíceis, onde o conservadorismo, premente e crescente, ainda ameaça muitas existências. Falar sobre isso é uma necessidade minha de mostrar minha visão sobre tudo, me posicionar, me agregar com quem se sintoniza com esses pensamentos e dizer “estamos juntes nessa”!

702: Esse álbum vem pela Incubadora DoSol e foi construído com a colaboração de artistas experientes. Como foi pra vc contar com esse apoio?
Aiyra: Sempre muito importante pra um artista ter o apoio de uma equipe experiente e relevante, inclusive a nível nacional, como é o caso do Dosol. Eles são muito respeitados no cenário da música alternativa no Brasil inteiro, então ter meu trabalho vinculado ao Dosol confere credibilidade e relevância ao que produzo. Sem contar na qualidade dos profissionais articulados através do selo para a realização dos trabalhos desenvolvidos na Incubadora. Meu trabalho ganha muito em fazer parte do Dosol.
702: Esse álbum lado traz colaborações com Bixarte, rapper Fontes, Bixxatriz e Mari Santana, que trazem bastante pluralidade musical e dialogam com outras cenas musicais do país. Já eram nomes que você tinha vontade de trabalhar ou foram surgindo ao longo do processo de concepção do álbum? Aproveita e comenta pra gente como foi contar com essas participações.
Aiyra: Foram nomes que surgiram no decorrer do processo, mas sempre foram artistas que admirei muito. Tê-los nesse álbum foi um presente e um ganho fantástico pro trabalho. Todas essas participações fizeram muito a diferença. Levaram a sonoridade pra um outro lugar, muito mais incrível do que eu poderia imaginar que poderia.
702: Em “Sem pedir desculpa” você fala sobre a necessidade de ter coragem pra se olhar e se perceber. A pandemia meio que obrigou a gente a ter mais contanto conosco e entrar nesse mergulho. Como foi pra você?
Aiyra: Pra mim a pandemia foi o berço desse novo álbum. Entrei, como muita gente entrou, compulsoriamente num processo de reavaliação da minha existência, como pessoa e também como artista. Eu tinha acabado de lançar meu primeiro álbum e não ia trabalhá-lo como queria. Eu sabia disso. Uma por não ter como tocar, outra porquê percebi que a densidade que ele trazia era demais pra mim e pra quem ouvia. Eram tempos difíceis pra se ouvir sobre coisas densas numa roupagem também densa. Comecei a perceber que era hora de tentar trazer a leveza pra minha vida e pra minha arte e isso foi e tem sido revolucionário pra mim e pro que faço. Leve não é apenas um novo trabalho, mas um novo momento na minha vida.
702: O álbum tem uma sonoridade bem dançante com uma mistura de ritmos bem convidativa para fazer o público se jogar na pista. Há previsão de show de lançamento?
Aiyra: Sim. Faremos um show no Festival Dosol dia 23/04 no pátio da Capitania das Artes. Nesse mesmo dia outros shows imperdíveis, como Marina Sena, Bixarte e Ferve, Coisa Luz, Fortunato e os Jovens de Ontem, vão rolar. Outras datas estão sendo confirmadas e quem quiser ficar sabendo, me acompanha no @aiyra_ no Instagram.
Foto de destaque: Rita Machado
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Jornalista formada pela UFRN, atua como Comunicadora Criativa e Produtora Cultural comunicando projetos artísticos na cidade do Natal há mais de dez anos. É uma das administradoras do blog cultural potiguar Apartamento 702, é ativista gorda, rainha da brilhosidade, dona e proprietária em Comunica Ceci, praticante de yoga. cinéfila e aprendiz de Lu Roller.

