Minha experiência na Startup Weekend Natal

Além de apaixonada por cinema, sou profissional em marketing digital e sempre ouvi falar muito bem de alguns eventos da nossa área na cidade. A Startup Weekend foi um deles, que sempre teve este destaque. Este ano fui convidada pelo Apartamento 702 a viver esta experiência imersiva de empreendedorismo.

Sexta-feira a noite saí do trabalho direto pro SEBRAE. Chegando lá fiquei me perguntando se, com tamanho cansaço depois de uma semana de trabalho, iria aguentar 54 horas corridas de desenvolvimento de projeto.

Houve a abertura do evento, dinâmicas de apresentação e o grande momento de apresentar sua ideia. Confesso que sou uma mente criativa e penso em soluções pra tudo, então achei interessante apresentar a minha. Fui a frente e falei sobre um aplicativo voltado para cinema, claro! É onde o meu calo aperta e eu expus minha dor. Para a minha grande surpresa eu fiquei nervosa, deu pequenos brancos e acho que não expus bem. Poxa, justo eu que prefiro interações em programas ao vivo, que nunca tive problema em falar em público?

Uma mocinha que estava ao meu lado analisando e anotando todos os projetos apresentados conversou comigo sobre a impressões dela, eu falei um pouco mais sobre o meu projeto e outros que me chamaram a atenção. Comentamos alguns que tínhamos gostado e nos identificado, ela disse que achava o meu “escalável”. Hora de vender a ideia, a primeira grande interação entre os participantes, trocando ideias e soluções. Cada um recebeu 3 votos, que poderiam ser distribuídos na própria ideia, ou na dos colegas. A loucura entre defender sua ideia e saber um pouco mais das outras é insana. Ficamos entre o: “eu acredito em mim, mas acredito em você”, abro mão ou insisto?

Decidi acreditar um pouco mais em mim e me dei dois votos, e distribuí mais um. Eu tive o total de 5 votos, que não foram o suficientes para que minha ideia estivesse entre as escolhidas. Outras oito pessoas conseguiram, no entanto se mais 2 pessoas comprassem minha ideia eu poderia ‘’ressurgir das cinzas’’. Definitivamente não era a minha intenção, mas tinha um grave problema: as ideias as quais me identifiquei também não haviam ganhado uma segunda chance. A mesma dificuldade da moça inteligente das anotações, que ao perceber nosso mesmo dilema decidiu por mim: “vamos resgatar a sua ideia, eu acredito”. Ela acreditou mais que eu naquele momento! E nós de business, vendemos o negócio para dois programadores, apesar de faltar o design (o profissional mais concorrido do evento), seguimos. Cada vez mais eu pensava: “gente, é possível mesmo!”.

A nossa volta estavam todos agitados, ideias bem votadas tinham sido dissipadas e outras tantas legais, resgatadas também. Meu time estava apaixonado e imerso na discussão, achamos que teríamos que planejar tudo, discutimos muitas possibilidades, fomos para casa mais de meia noite fervilhando. Há relatos gerais de que pouca gente dormiu.

Sábado de manhã, hora de tomar café para acordar? Também, mas por incrível que pareça, nosso programador/consultor jurídico (porque cursa direito), nos mostrou mais uma habilidade que iria nos ajudar na nossa jornada: o Tai Chi Chuan. Tiramos 15 minutos, fomos ao estacionamento nos alongamos e praticamos um pouco, para fechar dávamos um abraço em grupo de 15 segundos promovendo a troca de energia cinética e afabilidade. Nos chamem de loucos, mas ajudava, inclusive, tentem! Mais calmos, voltamos ainda querendo que cada etapa fosse bem planejada. Coitados! O Just Do It imperava, pedíamos calma e todos os mentores nos pressionavam para que fossemos a rua entrevistar pessoas e validar a ideia. Nos dividimos e fomos, tentamos planejar os horários certos para a estratégia, no entanto o tempo era mais importante do que a estratégia. Quando percebemos que nosso projeto ia pivotar (mudar o rumo), já não dava mais tempo de ir a rua novamente. Fizemos listas respiramos fundo, consultamos pessoas e mentores, nos agarramos a um novo conceito e direcionamos um formulário com perguntas rápidas e específicas para um nicho. Um influencer replicou nosso formulário e tivemos 230 respostas em 2 horas, além de entrevistar alguns coleguinhas dos outros grupos. Vimos o poder da influência de nicho, cruzamos dados, analisamos os dados, confirmamos uma nova dor. Validamos com o público! Construímos o conceito, estruturamos as ideias, pensamos em lucro. Validamos com os empresários! “Meu Deus, pessoas pagariam pela nossa ideia!”

Agora nós éramos uma rede social baseada em otimização de tempo e confiança. Os mentores e colegas agora pareciam entender muito mais o nosso projeto. Ajudavam, conversavam, sentiam nossa dor, além de agora ajudarem de maneira muito mais prática. Sim nós tínhamos uma solução viável, para um problema em comum! Work, work, work! Fome, bucho cheio! Mais fome, café, madrugada, agitação, ansiedade, 3 horas da manhã, sono! Para alguns rolou até just dance.

Domingo teve Tai Chi, preparar o Pitch. Molezinha, somos todos muito comunicativos e nossa representante tem carisma e experiência… Opa! Cansaço e nervosismo bateram. O design para preparar rapidamente uma boa identidade fez falta. Nós queríamos detalhar, quando não era necessário e demoramos a entender que em dois dias e meio nossa ideia nunca estaria pronta. É complexa e todos nós somos prolixos e ansiosos. Temos dificuldade em vendê-la rápida e objetivamente em uma apresentação de 4 minutos. Tínhamos dados, boas respostas, e uma venda, porém estávamos nervosos por acreditar muito naquilo.

Ao final chegou, nossa vez, nossa menina prodígio foi lá, melhorou bastante em relação ao pré-picth. Na hora das respostas eu mais uma vez, fiquei nervosa e me embananei, já os meninos de desenvolvimento foram mais práticos e assertivos nas explicações, mas já era tarde e acabou o tempo. Mas sabíamos onde tínhamos pecado, a banca não comprou nossa dor e solução. Apesar de termos consciência de todos os detalhes e respostas para cada pergunta, estava óbvio que a venda não tinha sido clara e objetiva. Assistimos os outros projetos e amamos ver a evolução de cada um, tantos pivotaram (a ponto de mudar o ramo do projeto) e, ainda sim, apresentaram algo interessante. Nenhum projeto estava pronto e totalmente preparado, mas cada um teve seu ponto forte. Fiquei feliz por uns, triste por outros. Particularmente via uma solução para cada ideia.

O evento teve falhas óbvio, algumas técnicas, outras humanas. Até levamos um carão em público por causa de um mal entendido. Nunca quisemos trocar slides após o envio, apenas queríamos inserir a fonte que era nossa identidade visual e não tinha na versão do power point do PC do evento. Estudamos sua cor, legibilidade e tudo mais. Compreendemos que não havia tempo para discutir, nos calamos e seguimos. Pessoalmente, me chateei com uma lição de moral pública precipitada sobre nossa educação, baseada em algo que tinha sido compreendido errado, mesmo depois de não termos discutido e nem se quer ter podido explicar. Quero retificar que minha equipe foi composta de profissionais qualificados, como cada um dos que estavam participando e respeitamos muito as regras que nos foram impostas, além de nossos colegas. Por outro lado, houveram seres humanos gentis por toda parte. Como a moça que partiu no meio o pedaço da sua pizza para que eu não ficasse sem, ou da moça que catou bolinhas de queijo, em meio de várias coxinhas, para que uma participante vegana pudesse comer. Além de disponibilidade em geral, empatia pelo esforço das pessoas. Aprendemos com isso, que empreender é trabalho duro, frustração e mais trabalho duro.

Não ficamos com nenhuma colocação! É triste, ninguém gosta de perder. Mas ainda estamos apegados, ainda estamos considerando possível. Pois só fracassamos de fato, quando deixamos de tentar e nos desenvolver.

 

Previous ArticleNext Article
Karla Menezes
Amante das séries e filmes. Fã de heróis. Pós graduada em mídias sociais e blogueira do Cheia de Papo.

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *