Crítica: A Dama e o Vagabundo é uma visita nostálgica e bem-sucedida a era de ouro da Disney

A Disney Plus desembarcou no Brasil no último dia 17 de novembro, mas a nova opção de streaming não chegou forte, o catálogo conta com numerosos títulos infantis e adaptações de Best-sellers juvenis e – apesar da Marvel e Star Wars estarem no catálogo – a proposta de streaming para a família (forma como a Disney vende seu serviço) não convenceu muito. No entanto, a Disney é especialista em fisgar seu público pelo coração e é onde “A Dama e o Vagabundo” entra como oferta perfeita para agradar uma geração de jovens adultos nostálgicos.

O remake da animação clássica de 1955 teve sua estreia direta no catálogo, pulou as salas de cinema e se acomodou bem no streaming. Sabe-se que os cinemas já não se interessam tanto por essas obras; inclusive em tempos de pandemia e redução da capacidade em suas salas o mais seguro a se fazer, para os cinemas, é apostar nos filmes de super-heróis. Zero espaço para a era de ouro da Disney.

Há uma crença – assertiva – que remakes de clássicos são desnecessários, um alto investimento que deveria ser destinado a novas produções. A única ressalva para isso é quando um filme ou série ficou datado pelos avanços tecnológicos podendo ser verdadeiramente melhorado com aquilo que existe de melhor nos dias atuais. E “A dama e o Vagabundo” consegue se firmar como um dos únicos remakes que acerta o ponto e respeita a essência e, sobretudo, a importância do título para história do cinema.

Tudo de necessário da versão original de “A Dama e o Vagabundo” está presente nessa nova produção, cachorrinhos encantadores, de carne e osso, dão vida ao que outrora era simplesmente um desenho. Claro que o CGI (Computer Graphic Imagery) está presente e é um recurso imprescindível para que as emoções e falas dos doguinhos sejam possíveis, mas, nada comparado ao estranhíssimo resultado de “O Rei Leão”.

A forte premissa do clássico continua a mesma, o adorável casal composto por Jim (Thomas Mann) e Darling (Kiersey Clemons), possuem uma adorável Cocker Spaniel, a Lady, que é completamente mimada pelo casal e objeto de atenção intensa, mas Lady vê seu estilo de vida ser ameaçado com a chegada de um bebê na casa. É então que em uma fuga a Lady acaba esbarrando no Vagabundo, dividindo algumas aventuras com ele e o resto se sabe, o amor acontece.

O remake de “A Dama e o Vagabundo” consegue aquecer o coração de maneira despretensiosa, com uma narrativa simples e sem grandes acontecimentos, tudo ambientado no sul dos Estados Unidos, numa Savannah charmosa e cheia de vida. O grande diferencial dessa produção é o olhar humilde que a Disney deu para seu próprio passado, revisitando e alterando apenas o essencial, como as personalidades dos seus protagonistas, que ganharam contornos mais reais e nada caricatos.

A Disney conseguiu oferecer algo realmente genuíno e doce, fruto da direção assertiva e afiada do Charlie Bean, que se prontificou a causar suspiros. E conseguiu, os jovens adultos nostálgicos certamente se sentirão tão satisfeitos quanto a Lady e o Vagabundo com seu prato de macarrão e almondegas.

Confere o trailer:

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Henrique Avelino
Jornalista, escreve sobre moda e comportamento; é aficionado por arte e cinema e acredita no poder transformador dos livros, do plástico bolha e de uma boa xícara de café.

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