“Um espaço de ruínas vivas, onde o tempo insiste em caminhar lentamente”, é essa uma das definições que o fotógrafo João Oliveira concebe ao apresentar “Onde se esqueceu de lembrar”, seu primeiro livro fotográfico solo. Fruto de uma pesquisa que durou quatro anos, o livro apresenta o atual estado de abandono da memória afetiva e arquitetônica dos bairros da Ribeira e Cidade Alta em Natal/RN. O resultado é uma investigação visual que ativa nosso sentimento de nostalgia, ao mesmo tempo que reforça a necessidade de preservação de um patrimônio que se desgasta com a ação do tempo. O livro ganhará uma versão física em breve, mas já conta com uma versão digital disponível para download em: https://www.joaooliveirafoto.com/ondeseesqueceudelembrar
Na cidade em que a gentrificação e a urbanização predatória avançam, sem piedade, sobre a memória, a pesquisa de Oliveira documenta uma Natal que ainda se conecta com outro tempo, outro ritmo. Nas fotos, as ruínas acabam contrastando com a vida que nunca abandonou esses bairros. Enquanto o tempo engole o patrimônio material, a vida insiste em ocupar esses territórios quase como um aviso de que nem tudo pode ser esquecido.
Sejam os pescadores que, desde a fundação da cidade, ainda usam o rio Potengi como espaço de sobrevivência, seja a boemia dos bares que ali sempre estiveram, e que nem tão cedo dali sairão. Existe um interesse evidente do autor em denunciar o processo de abandono desses lugares, mas também se conectar com a história que ali resiste, e com seus personagens.
“Durante a pesquisa desenvolvida nos bairros históricos de Natal entre 2017 e 2020 foi buscado revisitar locais que marcaram o início do desenvolvimento da cidade, e entender a relação do corpo urbano descolado do seu espaço e o estágio atual de abandono e esquecimento, que se confunde com a resistência do local em permanecer existindo. Um lugar no qual o tempo caminha lentamente”, explica Oliveira na apresentação do livro.
“Onde se esqueceu de lembrar” acaba mostrando também que o combustível para a degradação do patrimônio é também a indiferença do poder público, e dos próprios natalenses com sua memória. As fotos, de maneira despretensiosa, ativam questionamentos sobre o quanto conhecemos da nossa própria história, e até mesmo se nos importamos em preservar essa parte do nosso passado.
Publicado pelo Margem Editorial, em parceria com a editora Caule de Papiro, o livro e e-book contam ainda com patrocínio da Lei Aldir Blanc, através da Prefeitura do Natal e Governo Federal.
Foto por João Oliveira
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Publicitária formada pela UFRN, Master Jedi em Gestão da Comunicação em Mídias Digitais pela ESPM, Head of Marketing and Branding na ESIG Group e Sócia Administradora do blog regional Apartamento 702. Comunicóloga, cinéfila, intolerante a lactose e a seres humanos antivacina, metida a blogueira nas horas vagas.