A pretensão dos relacionamentos eternos

Há algo que é tão repetido no nosso cotidiano que virou regra: a de que o fracasso em um relacionamento está ligado ao fim de um casamento ou de um namoro.

O imaginário das pessoas faz uma conexão ao mesmo tempo simples e brutal: casais que dão certo são aqueles que vivem “felizes para sempre”. Ou, pelo menos, os que ficam juntos para sempre.

E é engraçado notar a hegemonia desta perspectiva romântica em um mundo tão racional como o de hoje. Como se o “felizes para sempre” fosse uma possibilidade real, não uma exceção à regra – como a dura realidade nos mostra.

A razão dessa crença um tanto ingênua pode ser creditada aos filmes e histórias que o nosso universo cultural está recheado onde, com uma série de variações, o mocinho sempre conquista a princesa e vive com ela por toda a eternidade.

Se apegar a essa possibilidade ínfima do “felizes para sempre” é que faz com as pessoas considerem que o mero término de um namoro significa que ele foi fracassado. E isso nos cega a coisas mais importantes do que essa pretensão pela eternidade.

É como se compartilhar momentos especiais junto de outra pessoa, ter – mesmo que por um período curto – expressado confidências, trocado intimidades e amado o outro ser humano, simplesmente pelo que ele é,  fosse imediatamente invalidado pelo fim de uma relação.

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A pretensão pelo amor eterno é cruel com aquilo que realmente faz o nosso cotidiano: a vivência e a experiência que sentimos no agora, no momento em que amamos aquela pessoa e que estamos compartilhando um momento conjunto especial.

E a nossa vida é feita de momentos, não de eternidade. Eternidade é apenas um conceito que estamos sempre distantes, já que nada na nossa existência é eterna.

Entender a importância disso é saber que, pelo caráter transitório da vida, contextos mudam. Aspirações mudam. Sonhos mudam. Pessoas mudam. E essa mudança não invalida o amor mútuo que existiu durante aquele pedaço da vida de ambos.

Não existe o te amo para sempre. Existe o te amo agora. É preciso nos despir dessa vontade pelo eterno e aproveitar o agora para, assim, vivê-lo em toda a sua plenitude.

E é por isso que uma das citações mais importantes para inspirar casais e a nossa necessidade pelo amor deve ser o último verso do famoso soneto da fidelidade do Vinícius de Moraes: “Eu possa me dizer do amor (que tive)/ Que não seja imortal, posto que é chama/Mas que seja infinito enquanto dure”.

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Jornalista formado pela UFRN. Fez o Curso Estado de Jornalismo Econômico do Estadão/FGV e o Rumos Jornalismo Cultural do Banco Itaú. News addicted. Apaixonado também por internet, cultura, política, mídias sociais, publicidade e pelo Palmeiras. Odeia azeitona.

Comentários

2 Comments

  1. mas menino, e eu achando que vc tinha aposentado os escritos!

    é bem por ai…acho estranhissimo quando alguem fala: "mas por que nao deu certo?" ora, deu certo, as questões são outras, caro amigo…

    vamos propagar por aí essa compreensão do mundo 😉

    beijos

  2. mas menino, e eu achando que vc tinha aposentado os escritos!
    é bem por ai…acho estranhissimo quando alguem fala: “mas por que nao deu certo?” ora, deu certo, as questões são outras, caro amigo…
    vamos propagar por aí essa compreensão do mundo 🙂

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