Os hiper conectados e os dispositivos vestíveis

Uma das tendências da tecnologia neste ano são os gadgets vestíveis.

Sabe aqueles relógios inteligentes que inundam portais de notícias e já estão à venda e o tal do óculos Google Glass que, ainda em fase de desenvolvimento, já gera furor e discussões acaloradas internet a fora?

Pois é, eles são os precursores dessa nova tendência, uma forma diferente de se relacionar com a tecnologia e que muita gente boa anda apostando.

Há vários outros exemplos de aparelhos como esses: broches, pulseiras e até uma lente de contato, mas o mercado aposta que o relógio e o óculos, mais precisamente o Glass, vão começar a ditar moda a partir deste ano.

O que é interessante nisso tudo é que há muita incerteza sobre o impacto que essas tecnologias terão na nossa sociedade e até se elas vieram para ficar.

Esses dispositivos devem aprofundar ainda mais os pontos de conexão entre real e virtual. Há um vídeo do Google Glass, por exemplo, em que mostra o sujeito numa espécie de jogo onde o cenário virtual do game é exatamente o local “real” que ele vê.

Não seria estranho imaginar a possibilidade de, com a lente de um óculos como esse, ser possível acessar perfis na internet de pessoas que não conhecemos, ou que acabamos de conhecer. E, a partir daí, ter um resumo imediato sobre a vida dela (status de relacionamento, fotos, cidade onde nasceu…). Isso só pela fotografia do rosto.

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Ou até que haja aplicativos sociais em realidades virtuais, numa espécie de Second Life mais intenso, com interações que ultrapassam a barreira do real e do virtual.  Isso tudo implica, além de questionamentos filosóficos, em problemas práticos sobre a questão da privacidade em um mundo onde até os objetos também estarão conectados.

Outra possibilidade interessante, e também um pouco assustadora, foi revelada nessa semana. Desenvolvedores britânicos fizeram um aplicativo para o Google Glass que promete “dar novos ângulos a nossa experiência sexual”.

O negócio é mais ou menos assim: o gadget vai projetar imagens da relação sexual com os diferentes ângulos vistos pelos parceiros, em tempo real, via streaming.  Ele ainda vai gravar todo o ato, que poderá ser revisto até 5 horas depois. E será apagado para evitar que caia nas redes sociais.

O aplicativo também pretende sugerir posições sexuais e, caso o quarto tenha outros dispositivos inteligentes, ele vai poder controlar a iluminação e até mudar a trilha sonora.

A ideia dos desenvolvedores é dar uma nova experiência ao sexo.  Se vai melhorar o ato ou não, depende da tara da pessoa, seja em se ver e ser vista, seja no prazer de usar uma tecnologia para fazer sexo.

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Ao menos parece ser mais interessante que o insosso “sexo virtual” de anos atrás.

O bacana é notar que desde a chegada dos smartphones em 2007 e do mundo de possibilidades que ele abriu, o caminho da tecnologia se voltou em uma vertente cada vez mais próxima da vida do usuário final.

O smartphone hoje se tornou uma espécie de pequeno assistente individual. Ele toma notas importantes, armazena sua agenda, pesquisa por endereços e rotas, te conecta com os amigos e até te ajuda a paquerar.

Isso vai muito além da função original do celular que era apenas a de ser um telefone pessoal (ligar e receber chamadas).

E se os objetos comuns puderem ir além do dia a dia e também virarem assistentes? Qual será o resultado?

Não dá para dizer. Mas é essa a raiz que nutre o conceito em torno desses dispositivos vestíveis. E se deu certo com celulares, pode dar certo com outros objetos.

Uma peça de roupa inteligente, por exemplo, pode ser útil para ajudar o usuário em exercícios físicos,uma lente de contato inteligente poderia nos faria enxergar um misto da nossa vida virtual e real numa versão ainda mais imersiva que o Google Glass.

Ou simplesmente uma algo feito sob medida para nós que poderia ter um relacionamento conosco como a Samantha do filme Her do Spike Jonze,

Me divido entre achar que o horizonte será assustador, ou mais divertido. Mas às vezes me pego perguntado: será que nossos filhos serão uma espécie mista de homem com cyborg hiper conectados?

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Jornalista formado pela UFRN. Fez o Curso Estado de Jornalismo Econômico do Estadão/FGV e o Rumos Jornalismo Cultural do Banco Itaú. News addicted. Apaixonado também por internet, cultura, política, mídias sociais, publicidade e pelo Palmeiras. Odeia azeitona.

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