Mostra de teatro, dança e performance “Cenas do Nordeste” será realizada esta semana

Como estratégia de continuidade de produções e trabalhos culturais neste contexto de pandemia, surge “Cenas do Nordeste”, uma mostra de teatro, dança e performance realizada pela Ardume Produções (Natal/RN) de forma independente no período de 17 à 24 de julho. Nesta primeira edição, o evento apresentará dezenove registros audiovisuais de espetáculos de diversos artistas e grupos da Região Nordeste do país.

Inspirado pela realização do PAN Norte! [Potências das Artes do Norte], um festival virtual de teatro, dança e performance com obras de artistas que residem na Região Norte, o Cenas do Nordeste surge como evento online, mas com o desejo de não se configurar apenas em um formato virtual, trazendo visibilidade, afirmação e diálogo para outros territórios criativos e uma valorização das artes da cena nordestinas. O público poderá adquirir os ingressos através do site do Sympla. Ingressos custam a partir de R$10 e há diversos combos, que incluem quatro ou dez espetáculos escolhidos pelo espectador.

Serão dezesseis espetáculos para o público adulto às 17h e às 21h, além de três espetáculos destinados ao público infanto-juvenil na Mostra Matinê, realizada às 10h. Artistas e grupos de todos os estados do Nordeste estarão presentes nesta edição: Piauí, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Bahia, Maranhão e Ceará, com destaque para obras do Rio Grande do Norte, de onde surge a iniciativa. 

Representando o estado do Rio Grande do Norte teremos os espetáculos “Chico Jararaca” da Cia Trapiá, “Lá do Interior” do Coletivo de Atores Ô de Casa, Ô de Fora, “Instruções para Abraçar o Ar”, de Diogo Spinelli, “A Tragédia Mais Insignificante do Mundo” do Teatro das Cabras, “Sal, Menino Mar” do Grupo de Teatro Facetas, Mutretas e Outras Histórias e “Provisório” do Grupo Interferências de Teatro. Após as exibições dos registros em vídeo, o público será convidado a permanecer na sala virtual para um bate-papo com os grupos e artistas, mediado pelos artista-pesquisadores convidados Franco Fonseca (RN) e Euler Lopes (SE). Os espetáculos serão transmitidos pela plataforma de conferências ZOOM. 

Com a falta de apoio institucional e patrocínio,  a compra dos ingressos contribuirá com os pagamentos da equipe e de todos os artistas que compõem a programação. O evento conta com a produção dos artistas Diogo Spinelli, Heloísa Sousa, Thásio Igor e Pablo Vieira que junto com Felipe Fagundes, idealizador da Ardume Produções, organizam o Cenas do Nordeste. A identidade visual e o material gráfico são assinados pela designer Gabriela Pacheco.  Mais informações: Instagram @cenasdonordeste


Confira as obras e os artistas convidados para integrar a programação:

Negreiros, da Cia. LaCasa (AL), uma obra teatral dirigida por Fátima Farias e Abides Oliveira sobre a abolição da escravatura no Brasil.

Os que vêm de longe, do Teatro Poesia (AL), conta a trajetória de cinco refugiado em um mesmo barco, compartilhando memórias, dores e esperanças.

Quaseilhas (BA), uma obra dirigida e concebida por Diego Araúja a partir de suas memórias e vivências em Alagados de Itapagipe e utilizando da literatura oral yorubana.

Ancés, de Tieta Macau (MA), é uma performance onde a artista tenta traçar a genealogia do corpo negro que dança.

Memórias de um cão, do Coletivo de Teatro Alfenim (PB), dirigido por Márcio Marciano a partir de estudos sobre a obra de Machado de Assis.

Soraia Queimada, filha da violência, do Desacerto Coletivo (PB), onde a drag queen Soraia Queimada, bicha preta e periférica, apresenta números sobre as violências do cotidiano brasileiro. 

Por onde andam os porcos, é uma obra performativa em dança dirigida pela artista Kildery Iara (PE), que questiona o desempenha hiper produtivo da sociedade capitalista através de leituras de obras como A Sociedade do Cansaço de Byung Chul Han.

Dança Doente, da Demolition Incorporada (PI) com direção de Marcelo Evelin, a obra a partir dos escritos do coreógrafo japonês Hijikata Tatsumi e que tenta organizar uma patologia dançada pelo corpo em movimento para fora de si mesmo.

Trindade, Só Homens Cia. Dança (PI), uma obra que apresenta três entidade: a drag, o cavalo e o xaile; as descoberta e fracassos desses corpos a partir dos fados portugueses.

Provisório, do Grupo de Teatro Interferências (RN), com dramaturgia e direção de Thayanne Percilla, onde três personagens vivem relações familiares conturbadas.

Chico Jararaca, da Cia. Trapiá (RN), apresenta a história dessa figura nascida no Seridó potiguar e que foi cangaceiro do bando de Antônio Silvino.

Instruções para Abraçar o Ar, com direção de Diogo Spinelli (RN) a partir do texto de Arístides Vargas sobre a ditadura militar argentina.

A Tragédia Mais Insignificante do Mundo, do Teatro das Cabras (RN), obra teatral escrita pela dramaturga Fernanda Cunha onde uma perita criminal tenta desvendar o assassinato de três cabras.

Lá do Interior, Coletivo de Atores Ô de Casa Ô de Fora (RN), um espetáculo teatral que segue o encadeamento do amanhecer até o anoitecer de um cotidiano do interior do Rio Grande do Norte.

Piedade, a seu dispô, da Dicuri Produções (SE), com a atriz Isabel Santos e dramaturgia de Euler Lopes, a obra investiga as condições de miserabilidade de certas camadas da sociedade brasileira.

Respire – Manifesta, do Grupo Caixa Cênica (SE), uma instalação-vivência cênica com uma dramaturgia expandida composta por palavras, sons, cheiros, movimentos e corpos políticos dançantes.

 

Mostra Matinê com espetáculos infantis:

O Sr. Ventilador, do Grupo Bagaceira (CE), uma peça que mostra a divertida relação entre um gerente de escritório e seu funcionário mais antigo e grande amigo o Sr. Ventilador. 

Pinóquio & Gepeto ao sabor do vento, do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes (PI), um espetáculo para todas as idades a partir de um dos maiores clássicos da literatura mundial.

Sal, Menino Mar, do Grupo de Teatro Facetas, Mutretas e Outras Histórias (RN), contando a história de Sal, uma criança que ama o mar e precisa atender o pedido de ajuda de uma concha para salvar os seres marinhos.

Foto: Brunno Martins

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Cecília Oliveira
Cecília Oliveira é Comunicadora Criativa e Produtora Cultural, atua comunicando projetos artísticos na cidade do Natal há dez anos. É gorda power, a mil por hora, apaixonada por glitter, cachorros e fotografia.

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