Janaína Colorida Feito o Céu e o mercado de cinema: 4 perguntas para a cineasta Babi Baracho

Nessa semana pipocou no Facebook o trailer do curta-metragem “Janaína Colorida Feito Céu”, novo filme da cineasta Babi Baracho. Ele é o primeiro que nasceu do edital do Cine Natal, lançado pela Funcarte no ano passado.

O filme também entra no casting do Coletivo Caboré audiovisual, recém formado por cineastas locais e que pretende movimentar a produção e a formação audiovisual da cidade.

Para esse ano, o coletivo também pretende lançar “Sailor” novo filme do diretor Victor Círiaco, que produziu o belo documentário “Abraço de Maré”, premiado em alguns festivais. Além de “Três Vezes Maria” de Márcia Lohss, outra produção premiada do edital Cine Natal.

“Janaína Colorida Feito Céu” é baseado no conto “A um passo” da escritora Rosa Amanda Strausz. Ele será lançado no Festival Cine Natal, previsto para ocorrer no final do ano. O curta deve também rodar festivais Brasil a fora.

Da Babi Baracho, formada em cinema pela UNP, este é o segundo trabalho. Antes ela fez “Canto canções de amor e carrego aço“.

Fiz quatro perguntas para ela, três sobre o curta metragem e um sobre o mercado audiovisual local que você vê abaixo.

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1 – O que o espectador pode esperar do curta?

Eu desejo que o espectador veja um filme que o faça refletir, se questionar e que encontre a beleza da poesia que os personagens levam pra suas vidas. O filme traz uma personagem bastante peculiar… Trata de uma personalidade esquecida, porém viva, de conflitos internos e, sobretudo, da relação da personagem com o meio que a cerca.

2 – Como foi o trabalho de concepção dele, desde o roteiro, até o produto final?

O roteiro foi desenvolvido durante a pesquisa do meu TCC sobre adaptação para roteiro. É um roteiro adaptado do conto “A um passo” da autora Rosa Amanda Strausz. Durante a escrita encontrei algumas dificuldades. A principal, claro, é a adaptação em si. Pois temos uma obra que está inserida num contexto e precisa se adequar a outro. Outra dificuldade foi transportar o peso poético do literário para o fílmico. Essa linha poética é algo que estou buscando nos trabalhos que roteirizo e dirijo.

Outra dificuldade foi usar elementos cinematográficos no roteiro, como na fotografia, por exemplo. Após o TCC, o roteiro passou por Johann Jean e André Santos, que me ajudaram a finalizar e dá o tom que eu buscava.  A fotografia foi pensada para que mostrássemos a cidade de Natal que todos aqui conhecem, mas com um novo olhar sobre ela. Então são ângulos que nos mostram um pouco mais do que nos acostumamos a ver e formas, linhas, que são quebradas com a presença de um ser, além do desfoque na cena que ela se risca, tentando buscar um pouco de dramaticidade.

A direção de arte foi assinada por mim. Também no meu TCC fiz uma pesquisa sobre o disco cromático das cores e utilizamos no figurino e na colorimetria do filme as cores complementares, que são situadas em lados opostos no disco, para buscar contaste e equilíbrio pra cena.

3 – Quais são as expectativas que tem para o público, tanto daqui, quanto de fora?

Eu e o Coletivo Caboré esperamos que o público daqui enxergue que existe cinema potiguar, só precisamos de algum reforço e apoio. Acredito que temos dois filmes de qualidade (Janaína Colorida Feito o Céu e Três vezes Maria, ambos contemplados no Cine Natal 2013) e que vamos conseguir um bom público aqui e fora. Os festivais audiovisuais crescem a cada ano e esperamos levar os filmes pra muitas cidades.

4 – E o mercado audiovisual de Natal, qual a sua visão?

Sobre o mercado audiovisual potiguar, aquele tempo em que diziam que esse mercado não existe e que não se faz cinema no Rio Grande do Norte… Esses dias estão contados. Acho que estamos passando por uma fase de transição e neste ano teremos boas provas de que agora o cinema potiguar vai alavancar. Como disse anteriormente, precisamos de reforço. Não se faz cinema sozinho e não falo sobre cineastas e produtores, falo sobre empresas, sobre gestores, que precisam apostar na sétima arte. Se o teatro potiguar arrasa por aí a fora, é porque existem pessoas por trás que acreditam nele. Precisamos que acreditem em nós também.

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Jornalista formado pela UFRN. Fez o Curso Estado de Jornalismo Econômico do Estadão/FGV e o Rumos Jornalismo Cultural do Banco Itaú. News addicted. Apaixonado também por internet, cultura, política, mídias sociais, publicidade e pelo Palmeiras. Odeia azeitona.

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