Foto: Argemiro Lima

Foto: Argemiro Lima

Rochelly Eleonora Silva de Barros, 19 anos, chamava-se Eimar até bem pouco tempo atrás. É a primeira transgênero do Rio Grande do Norte a fazer a troca de nome nos documentos, antes de fazer a cirurgia de troca de sexo.

A decisão da justiça saiu nesta quarta-feira (2), ela foi auxiliada pelo núcleo jurídico da UNP. O processo da mudança de nome começou quando ela tinha 16 anos. Rochelly passou a tomar medicamentos que inibem a produção do hormônio masculino, para ganhar feições femininas.

Nas entrevistas que deu ao Portal NoAr e ao Novo Jornal, citou que desde criança se sente como mulher. Dentro de casa houve aceitação. O preconceito veio dos amigos da rua e da escola.

Apesar de parecer diferente, crianças transgêneros são mais comuns que se pensa.

Ainda não há dados no Brasil, mas a Universidade da Columbia, nos EUA, estimam que 0,3% da população adulta do país é transgênero. Um outro estudo, da pesquisadora Stephanie Brill e Rachel Pepper, calcula em 0,2% das crianças nascem com a identificação de gênero aposta a que nasceu.

Essa percepção já foi considerado problema psiquiátrico pela Organização Mundial de Saúde. Hoje é aceito como uma condição normal, que deve ser acatada pela sociedade em todas as suas formas: seja legalmente (na questão da mudança de nome), seja em questões médicas (na cirurgia de troca de sexo), seja no combate ao preconceito.

Virou questão de direitos humanos. Diferente do homossexual, o transgênero sente-se como uma pessoa com o sexo inverso do que nasceu. Se esse desejo for reprimido, a pessoa pode sofrer com depressão severa e, no limite, apelar ao suicídio.

Como a falta de informação ainda é grande e o preconceito, maior ainda, é preciso conscientizar a sociedade para aceitar essa condição. Afinal, são seres humanos, como qualquer outra, com sentimentos, qualidades e defeitos.

A Folha publicou há um ano uma matéria interessante sobre o tema. A história é de Dannan Taylor, garoto norte-americano de 10 anos, que desde os 2 se expressa como menina. É acompanhada por psicólogos e a orientação é que a trate como Cindy, até ter idade para efetuar a mudança legal no nome e fazer a cirurgia de troca de sexo.

É bem interessante para saber mais sobre o assunto.

Sobre o caso local, o objetivo da Rochelly agora é fazer a cirurgia de mudança de sexo, em João Pessoa. O procedimento é feito pelo SUS. Depois, ela quer se formar em direito e atuar na área.