Goku Natalense e Rambo de Natal: cada um com sua loucura

Nota do editor: texto publicado há dois anos na Revista Catorze. Rambo de Natal foi pego pela polícia hoje sob acusação de receptação de material roubado. Uma tristeza. 

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Rambo de Natal um (ex) ídolo da cidade

Nos últimos dias, pipocaram nas redes sociais fotos de dois figuras interessantes do ecossistema potiguar: um sujeito vestido de Goku que anda nos shoppings, pega ônibus e tem uma vida aparentemente “normal” e outro, vestido de Rambo, que porta uma bazuca de brinquedo e faz seu show particular em vias movimentadas de Natal.

Essencialmente são dois cosplayers. Para quem não sabe, o costume play (cosplay) é um hábito que tem raízes nos Estados Unidos e foi muito difundido no Japão nos anos 80, com a cultura do anime e do mangá. Este hábito consiste na pessoa se vestir da mesma forma que um personagem que gosta e assumir, durante aquele tempo, a personalidade deste.

É uma brincadeira que conta com milhões de adeptos no mundo inteiro. Natal, por exemplo, tem eventos específicos para esse público, com concurso de cosplayers bem movimentados e fantasias criativas. Mas eu nunca tinha visto pessoas assumirem, no espectro que podemos chamar de ‘vida real’, a vestimenta dos seus personagens preferidos como agora assumiram.

O fenômeno é, por si só, algo interessante de ser observado. O Goku potiguar, por exemplo, virou uma espécie de minicelebridade repercutida diariamente pelas redes sociais. Na pacata cidade do Natal, todo mundo que bate com esse sujeito, trata de tirar uma foto e postar no Facebook. Encontrar o tal do Goku no meio da rua já virou uma espécie de fato, diferente e marcante por si só.

O Goku, aliás, foi filmado recentemente em um show no DoSol Rock Bar, onde faz sua “performance” e foi recebido pelo público com um misto de entusiasmo e de espírito zombateiro (abaixo). No vídeo, ele ensaia um kamehamehá (golpe do personagem do desenho animado), é empurrado para a plateia e depois zoado. O tal do Goku potiguar parece mais um arroubo de algum adolescente entediado com a cidade e, por isso, passageiro do que uma coisa, digamos, séria.

Goku Natalense em uma de suas aparições
Goku Natalense em uma de suas aparições

Já o Rambo de Natal segue uma outra linha, um viés mais curioso. Publicamos aqui um curto artigo falando sobre o figura que, pasmem, respondeu e garantiu que sua ‘performance’ tem um caráter missionário-religioso. De uma forma “descontraída”, ele usa do Rambo para pregar o nome de Jesus. Dado interessante é que ele diz prestar continência a todas as autoridades públicas que passam por ele: do escoteiro ao policial militar.

O sujeito fala ainda que, em diversas ocasiões, prestou serviços à sociedade ajudando a organizar o trânsito em locais onde o semáforo estava quebrado, ou situações de acidentes Ele se julga, talvez, uma espécie de super herói, um novo Batman.

Acontece que o Rambo não é novo. Há vídeos e registros dele que datam de, pelo menos, dois anos atrás. O figura tem um perfil no Facebook e um cômico canal de vídeos no Youtube. Destaque para o vídeo onde ele diz bater o recorde de polichinelos em um minuto. Um primor.

O Rambo foi flagrado neste domingo de manhã. Em pé, em cima da divisória da BR 101, mirando sua “bazuca” de brinquedo ao léu. Irresponsável por si só – ele poderia se desequilibrar e gerar um acidente grave na avenida, ou desconcentrar algum motorista – fazia a diversão de quem estava nas paradas de ônibus.

Ninguém sabe até onde isso vai dar, ou se essa mania vai pegar na cidade. Pelo caráter irreverente que tem e pela audiência que gera, não duvido que possa sair dessa tiração de onda até uma candidatura para cargos públicos. Vide o Super Moura.

Enfim, cada um com sua loucura.

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Jornalista formado pela UFRN. Fez o Curso Estado de Jornalismo Econômico do Estadão/FGV e o Rumos Jornalismo Cultural do Banco Itaú. News addicted. Apaixonado também por internet, cultura, política, mídias sociais, publicidade e pelo Palmeiras. Odeia azeitona.

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