A notícia começou a circular hoje de manhã: um dos principais sítios históricos de Natal vai voltar a ser administrado pelo Governo do Estado, por meio da Fundação José Augusto.

O Forte dos Reis Magos, fechado desde 2013 por sucessivos problemas de má gestão, estava sendo administrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional (Iphan) desde então. Nem com isso e a promessa de recursos do PAC Cidades Históricas – dinheiro que nunca veio – a situação melhorou.

O resultado é que estamos com um dos pontos históricos mais famosos da cidade, o único que o trade turístico tinha a vergonha de divulgar, fechado e sem previsão para retorno.

Infelizmente dado o histórico da Fundação José Augusto não dá para saber se essa notícia é boa ou ruim. Na série que estamos fazendo sobre os equipamentos culturais do Rio Grande do Norte, praticamente todos que passam por graves problemas estruturais são também administrados pelo Governo do RN.

Pega o caso da Biblioteca Câmara Cascudo, por exemplo. Ela está fechada desde 2012 para uma obra que nunca terminou. A próxima previsão de abertura é para outubro deste ano, mas já foram tantas previsões que para acreditar mesmo é só vendo ela abrir.

O caso é trágico porque desde que foi inaugurada, em 1968, a biblioteca nunca passou por uma reforma estrutural que fosse. Quando o teto estava caindo aos pedaços e o acervo já prejudicado por mofo e infiltrações, pararam para fazer uma obra. Já são cinco anos de espera e um equipamento público que poderia hoje ser palco de ações de incentivo a leitura em Natal parado.

Outro caso icônico da incompetência da Fundação José Augusto em gerir os equipamentos públicos da cidade é o Teatro Alberto Maranhão. Fechado por problemas estruturais, sabidos desde antes de eu mesmo nascer, mas nunca resolvidos de fato.

Já são dois anos que o teatro mais importante do RN pela sua arquitetura e pelo seu valor histórico está fechado. Promessas pela reabertura existem, mas elas acabam nunca sendo concretizadas.

Na entrevista que deu ao Agora RN, o governador Robinson Faria disse que o Governo terá recursos para bancar a reforma estrutural do Forte dos Reis Magos.

A pergunta que fica é: com a segurança em estado de calamidade, a saúde e educação problemáticos, e o Estado sem pagar direito os próprios servidores, será que vai ter mesmo esse recurso? 

Eu apostaria que não.

Enquanto não houver gestão, boas ideias e interesse, infelizmente a história do Rio Grande do Norte vai continuar sendo sempre tratada dessa forma: com descaso e escárnio por parte dos gestores.