{Entrevista} A Body Art de Allienx

Precursor do ramo do body piercing em Natal. Alexandre (42), mais conhecido como Alienx, bateu um papo conosco sobre o mercado, joiás e tendências para 2021. Ele que é referência e até forma novos profissionais na área contou alguns segredos de atuação.

Apto 702: Conta um pouco do início da sua trajetória, como chegou neste ramo?

Alienx: Eu lembro que vi um amigo na escola com a orelha furada, a irmã dele que tinha furado. Eu fiquei encantado e para onde ele ia, eu ia atrás, queria ver, queria pegar. Risos. Lembro que cheguei em casa com essa ideia e levei logo uma repressão dos meus pais, sempre a partir daquela mesma lógica de que isso “não é papo de homem” e uma série de outras coisas. Eu estava entrando na adolescente, tinha 14 anos. Insisti tanto que eu furei a orelha, logo depois. Desse instante em diante eu me apaixonei, rapidamente já fiz novos furos em mim, e meus amigos me procuravam para furar a orelha deles, mas nesta época eu nem sonhava que existia piercing. Comecei adolescente mesmo, eu tinha um tio que  era ourives (a pessoa que trabalha com metais preciosos – prata e ouro). Então eu comprava ao meu tio e já vendia joia e perfuração juntos. Nesta primeira fase, eu recebi bastante apoio e instruções da minha irmã que é enfermeira sobre higiene e medidas de biossegurança básicas, dentro do que era possível fazer, claro. Fiquei assim um bom tempo, mas não era nada profissional, era paixão.

Apto 702: Como você conheceu a profissão de Body Piercier?

Alienx: Até então eram furos de orelha, em 1997 um amigo voltou de   São Paulo/SP e trouxe uma revista de skate. Eu vi uma reportagem de folha dupla falando sobre piercing, foi o meu primeiro contato com  o termo, até então eu via artistas e cantores de banda usando, mas não compreendia ao certo. Quando eu vi, eu entendi que era aquilo que eu queria para minha profissão. Nesta época eu trabalhava vendendo e instalando antena de TV por assinatura, eu tinha um Fusquinha para trabalhar, decidi vender meu Fusca e fui embora para Brasília/DF, porque eu tinha família lá e queria saber mais sobre piercing. Fui em todos os estúdios de tatuagem e piercing em Brasília, fiquei lá durante seis meses  e levei muito não até conhecer a Medusa Tattoo, uma tatuadora de São Paulo bem conceituada na época que me deu a primeira oportunidade.

Com ela foi meu primeiro contato e ela se esforçou bastante para me ajudar. Porém ela também era uma tatuadora, que atuava nas duas  áreas, porque historicamente, lá no início, alguns tatuadores também faziam piercing.

Foi assim que comecei e depois de um tempo em Brasília, eu decidi abrir em Natal/RN a primeira loja voltada totalmente ao piercing.

Apto 702: A perfuração do piercing está diretamente ligada a modificação corporal?

Alienx: Totalmente, porém modificação corporal é algo bem mais amplo; vai desde um corte de cabelo, sobrancelha, uma cirurgia plástica ou até a um atleta fisiculturista, todas essas ações trazem modificações para o corpo do indivíduo. Eu realmente estudei muito sobre as modificações corporais mais impactantes e cheguei até a fazer bifurcação lingual em alguns amigos, mas nunca profissionalmente. Quanto mais eu estudava, mais eu percebia que essa é um campo que requer bastante conhecimento, decidi me dedicar inteiramente aos piercings, o que faço  há mais de 20 anos.

Apto 702: Porque que piercing não deve ser aplicado por um(a) tatuador(a)?

Alienx: Apesar dessas duas áreas estarem conectadas, realmente são campos de atuação e profissões distintas. Por exemplo, o ambiente necessário para perfuração é completamente diferente para a realização de uma tatuagem. O tatuador está expressando sua arte na pele, como quem está pintando uma tela, de forma aberta, que deve ser feita em total segurança. Porém o piercing está ligado a técnicas assépticas e de biossegurança, exige sala exclusiva e equipada para o  procedimento, com bastante recurso de esterilização. A perfuração é um procedimento mais invasivo, porque vai além da derme e da epiderme. Vale ressaltar que é completamente possível que um tatuador estude e seja um excelente Body Piercier, no entanto ele deverá atuar em espaços diferentes para realizar cada função.

Apto 702: Quais são os cuidados básicos e recomendações?

Alienx: Minha recomendação é sempre a mesma, procurar um profissional qualificado e desconfiar de preços muito baixos. Se você for olhar minha vitrine verá que realmente falamos de jóias, desde 2015 eu retirei completamente tudo que era de aço cirúrgico e desde então só trabalho com titânio, nióbio e ouro 18k. Nesse período houve um boom mundial e as grande joalherias começaram a trabalhar com  materiais mais refinados para piercings e pedras verdadeiras. O que tem  mais saída hoje é o titânio, e o que usamos é aquele com grau de implante dentário ou ortopédico. O material é completamente esterilizado na hora da aplicação e eu uso o integrador (uma espécie de comprovante da esterilização que vai anexado na ficha de cada cliente) para gerar mais segurança para mim e para cada pessoa que me procura.

Apto 702: Algumas pessoas tendem a banalizar a perfuração, tanto que durante um bom tempo o uso da pistola de farmácia era comum, tem como um piercing causar problemas sérios?

Alienx: Com certeza sim, eu recebo uma infinidade de problemas para resolveri, e as causas são as mais variáveis possíveis: a forma como foi feita a perfuração, o material utilizado, a orientação do profissional, o cuidado do cliente, o acompanhamento do profissional que perfurou, são inúmeras as causas dos problemas. Um profissional sério tem inclusive uma gama de médicos – infectologistas e dermatologistas – aos quais ele irá indicar para receber de forma mais segura uma perfuração com problemas, se assim for necessário. Sobre o uso da pistola, é realmente problemático, porque o profissional que faz essa perfuração muitas vezes não é qualificado e a pistola em si é um campo de contaminação, por não ser esterilizada e ser de amplo uso nesses locais.

Apto 702: O que leva uma pessoa a furar um piercing? Qual é a tendência para os próximos meses?

Alienx: Hoje a nossa variedade de joia é imensa e elas são belíssimas.  As pessoas furam para se sentirem bem, o que mais tem saída são os projetos auricular, ou visagismo auricular, são as nossas maiores

procuras, e não existe diferenciação para gêneros. Tanto homens como mulheres querem colocar um piercing para remeter a um visual contemporâneo, style e ficar bonito. Quem não gosta, não é?

Alguns trabalhos desenvolvidos em 2020 por Alienx usando a técnica do visagismo auricular

TENDÊNCIA 2021

O visagismo auricular é o estudo e a perfuração de brincos e piercings de forma harmônica, isto é, de acordo com imagem de cada cliente. Os profissionais da área conseguem criar uma análise personalizada buscando o que melhor se adapta ao rosto de cada pessoa, trazendo destaque e brilho para áreas específicas.

Body Piercier há mais de 20 anos, Alienx tornou-se referência nacional no assunto. As práticas de visagismo estão presentes no seu trabalho há algum tempo, para ele a arte vai muito além da estética: “O piercing fala sobre a personalidade de cada cliente. É muito importante que as pessoas que queiram fazer uma composição auricular se dediquem a realizá-la em ambiente seguro e com um profissional responsável”, explicou Alienx.

O material utilizado é um dos grande elementos para o sucesso da aplicação. Antigamente utilizava-se as ˜pistolas de farmácia˜, que têm seu uso proibido, devido aos altos riscos de contaminação. A perfuração segura é feita com material 100% estéril e descartável, de uso individual, com agulhas específicas para cada local de perfuração. As jóias recomendadas são as de titânio, com certificados confiáveis, pois precisam ser biocompatíveis com o corpo humano em grau de implante e não conter níquel.

Bancada de trabalho de Alienx obedecendo todas as recomendações internacionais de biossegurança

ENTENDA O VISAGISMO

 O termo deriva da palavra francesa visage, que significa rosto, e é arte de criar uma imagem pessoal autêntica de acordo com as características físicas. Na estética, o visagismo ajuda o profissional a saber qual visual é mais adequado para cada pessoa, ressaltando a essência que o cliente deseja transmitir.

O conceito foi desenvolvido por Philip Hallaweell, artista plástico paulista, autor do livro ˜Visagismo: harmonia e estética˜, o qual estuda a forma como o nosso cérebro capta as imagens.

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Anna Paula Andrade
Jornalista, radialista. Potiguar daquelas que fala 'galado', 'boy, 'esse omi' e 'deixe de guerra'. Apaixonada pelo mar, mãe de cachorro e viajante mochileira. Sou dessas que disposição é meu sobrenome. Uma ótima consultora para assuntos gerais e comentarista da vida alheia. Chega mais, por que eu adoro uma novidade!

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