O dia em que Dinarte Mariz virou um flanelinha

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Foto: Ney Douglas

O flagra foi feito pelo repórter fotográfico Ney Douglas.

Numa série de fotos, um flanelinha, que aparenta ter seus 15 anos de idade, sobe na estátua do ex-governador Dinarte Mariz na Via Costeira, uma das principais da cidade.

Com toda a naturalidade, o adolescente coloca um boné na cabeça da estátua, uma garrafa de água em uma das mãos e, noutra, um rodo pequeno. O mesmo que é usado por eles para limpar os vidros dos carros que param no sinal.

A cena é engraçada e simbólica.

A figura do ex-governador do Rio Grande do Norte e um dos apoiadores mais ferrenhos da ditadura militar no Brasil – foi contra a anistia dos exilados políticos e defendeu o bipartidarismo no país – vestido como povo. Exatamente igual a vários que passam o dia inteiro sob o sol quente da cidade lavando vidros de carro em troca de algumas moedas.

Um político vestido como gente. Gente que um dia ele representou.

A cena também é interessante porque chama a atenção para algo triste que vem ocorrendo na cidade: a multiplicação de trabalhadores infantis nos semáforos. Crianças e adolescentes que, longe das escolas, enfrentam o sol quente limpando vidros de carro em troca de algumas moedas.

Esse tema virou até matéria da Agência Brasil. Ela mostra que há iniciativas para resolver uma questão que é urgente.

Não dar oportunidades para crianças carentes mantém a roda da pobreza e desigualdade girando e fornece mão de obra barata para a criminalidade, que vem crescendo exponencialmente na cidade.

E apesar até do caráter “vândalo” que pode ser considerada essa intervenção na estátua, a imagem não deixa de ser também um pedido dessas tantas pessoas que trabalham nos sinais da cidade: “por favor nos olhem”.

 

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Jornalista formado pela UFRN. Fez o Curso Estado de Jornalismo Econômico do Estadão/FGV e o Rumos Jornalismo Cultural do Banco Itaú. News addicted. Apaixonado também por internet, cultura, política, mídias sociais, publicidade e pelo Palmeiras. Odeia azeitona.

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