Como resolver o problema do transporte público de Natal?

Estudantes e trabalhadores de Natal foram surpreendidos no início desta semana.

A Prefeitura do Natal autorizou o Seturn, órgão responsável pelas empresas de ônibus da cidade, a aumentar o valor da passagem.

Ela foi de R$ 3,35 para R$ 3,65 e se tornou a segunda mais cara do Nordeste, perdendo apenas para a tarifa de Salvador (R$ 3,70).

De um lado, os empresários argumentam a falta de viabilidade econômica do negócio.

Eles falam do impacto do aumento dos combustíveis, além de citar os prejuízos que têm por conta dos assaltos aos veículos e do desgaste causado pela má condições das vias da cidade.

Por outro lado, usuários reclamam da qualidade do transporte, da falta de linhas e do mau serviço prestado.

Nesse meio caminho, há outra questão em jogo: a licitação do transporte público.

O sistema da cidade nunca passou por uma licitação. Desde 2010, pelo menos, existe a recomendação judicial para que o certame fosse feito.

Houve duas tentativas em 2017, que não deram certo porque não houve empresas interessadas em explorar o serviço, de acordo com que o edital que foi publicado.

Enquanto isso, os problemas se acumulam com a tarifa cada vez maior e o serviço cada vez pior.

Como resolver o problema?

Resolver esse entrave é mais difícil do que parece. Isso porque o sistema como um todo está falido.

Não há como garantir, da forma que está, um equilíbrio entre o preço cobrado, o custo do serviço e a qualidade do transporte público prestado.

O problema se repete em praticamente todas as capitais do Brasil.

De um lado, a pressão dos empresários que monopolizam a prestação de serviço para o aumento de preço, de outro a qualidade baixa do transporte público como um todo, obrigando passageiros a pagar caro por um transporte ruim.

Com o crescimento das cidades, o aumento do número de carros e da poluição, investir em transporte público se tornou cada vez mais urgente.

Mas como chegar em uma solução?

Alguma propostas já foram debatidas, mas nunca implantadas.

Uma delas é a criação de um imposto para veículos que sejam revertido para financiar o transporte público, seja como subsídio para a tarifa, seja na criação de novos modais de transporte nas cidades.

Fala-se da municipalização do CIDE. O CIDE é um imposto federal aplicado sobre os combustíveis, que poderia ser utilizado pelos municípios para financiar o transporte.

Outras duas diferem por fazer parte de linhas ideológicas distintas: uma pede a estatização do transporte público e o fim do modelo de concessão.

A outra defende o fim do monopólio e a abertura de mercado para quem quiser prestar o serviço, aumentando a concorrência e diminuindo os preços.

Para discutir um pouco sobre elas e falar sobre o transporte público, a equipe do Apartamento 702, gravou no ano passado um podcast sobre mobilidade urbana.

Nele, participam os advogados Wagner Artur e Clara Cortêz e o jornalista Norton Rafael.

****

De todo o modo, o problema do transporte público ganhou contornos dramáticos, por ser difícil de resolver. Mas, o que você acha? Qual é a melhor solução para tentar encontrar equilíbrio para o sistema? Comenta aqui em baixo ou nas nossas redes sociais, sua opinião será bem vinda. 

 

Previous ArticleNext Article
Jornalista formado pela UFRN. Fez o Curso Estado de Jornalismo Econômico do Estadão/FGV e o Rumos Jornalismo Cultural do Banco Itaú. News addicted. Apaixonado também por internet, cultura, política, mídias sociais, publicidade e pelo Palmeiras. Odeia azeitona.

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *