Como foi voar de parapente na Via Costeira

Pássaros e alguns adeptos dos esportes mais radicais podem ter o prazer de ver as belezas de outro ângulo, mas para isso é preciso coragem e um pouquinho de disposição.

Decidi que queria voar de parapente e fui pesquisar sobre o assunto antes de me jogar de alguma ribanceira com um louco nas minhas costas, dizendo que tudo ia dar certo. Você provavelmente deve estar na mesma fase a de agitação e curiosidade.

Descobri que o parapente é composto por uma asa de tecido inflada pelo ar e por linhas de carbono que sustentam o piloto. Ao contrário da asa delta (também já voei, mas rende outro post), tanto a decolagem como o pouso podem acontecer, praticamente, de qualquer lugar e o equipamento fica todo armazenado em uma mochila bem grande.

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RN e as condições climáticas perfeitas

O nosso Rio Grande do Norte, por causa das altas temperaturas, tem ótimas condições para a prática do voo, seja na Via Costeira, no interior – o município de Patu tem uma das melhores condições climáticas  – ou nas falésias da Pipa. Aquela paisagem é de tirar o fôlego com os pés no chão, imagina no ar? No litoral ou no interior, voar é uma das sensações mais prazerosas da vida. Além do silêncio você consegue enxergar a cidade por outro ângulo e se for mais profundo entende sua pequenez.

Eu sempre que passava pela Via Costeira via as pipas colorindo o céu, mas eu nunca sabia como pedir informação e nem dava para ficar lá em baixo gritando ou esperando o voo acabar, eles duram cerca de uma hora, entre instruções, decolagem, voo e aterrizagem.

Foi quando achei o perfil de Pedro das Virgens no Facebook, ele tinha alguns amigos em comum comigo, o adicionei na rede social e aí comecei o questionário para saber quais são as contra-indicações, o que fazer para voar e que dia e que horas podíamos marcar. Descobri que dependíamos das condições do vento e do clima no dia marcado, marcamos duas vezes e o tempo não estava favorável e desistimos. Não cheguei nem a sair de casa.

Basicamente escolhi fazer meu voo com Pedro pela experiência e paciência ao tirar minhas dúvidas por What’s App e Facebook. Pedro das Virgens é piloto experiente, que começou a voar sozinho de um jeito bem maluco e hoje já tem mais de dez anos de voo livre, é certificado internacionalmente e nunca sofreu nenhum acidente. Nas nossas conversas antes de alçarmos voo ele me disse que é importante fazer a manutenção periódica do equipamento para que o risco de qualquer acidente seja eliminado.

Nem sempre é so easy

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Marcamos dia e local e finalmente o vento e o tempo cooperaram, eu estava com uma equipe de reportagem, e ao chegar lá a gente se atrasou, coisa de uns 15 minutos e o tempo mudou, o vento baixou e quase que tudo ia por água abaixo. Eu que sou mega supersticiosa pensei comigo mesma: Não é para fazer esse voo hoje, deixe de teimosia! 

Mas nós dois – ele tinha saído de Pipa só para voar conosco – estávamos confiante de que daria certo. Ele saiu de moto e conseguiu uma corda enorme que iria nos ajudar a subir com uma pessoa em baixo puxando. No mesmo principio de quem solta pipa. Ele também contaria com a minha experiência para conseguirmos decolar. Corre, corre, corre, segura a corda firme e a primeira tentativa só nos rendeu um banho de areia e enrolamos todas as linhas da pipa. Ai ele me disse que por causa da hora, estávamos nos aproximando do meio dia, só poderia tentar mais duas vezes. Tentamos a segunda vez e deu certo a gente subiu. Além de achar que ia morrer ou quebrar um braço ou uma perna lembro bem da sensação de liberdade.

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E quanto custa essa selfie aí?

Eu pensava que era uma fortuna, paguei mais de R$ 500 para saltar de paraquedas e o voo de asa delta no Rio de Janeiro foi uns R$390. Mas se você quer voar de parapente a aventura requer um investimento mínimo de R$170,00 (esse pacote é sem nenhuma foto ou vídeo, mas você pode levar sua câmera) e você paga R$50 a mais para ter as fotos e vídeos. Eu afirmo sem pestanejar: VALE CADA CENTAVO.

E por mais radical que pareça, a sensação lá de cima é tranquila,  a emoção fica por conta dos mais de seis mil pés do chão que o voo livre pode atingir, mas pra quem deseja voar quase não há contra indicações, crianças a partir de 10 anos, com a autorização dos pais e/ou responsáveis, podem voar.

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Como tudo começou

Fiquei curiosa e depois de conversar bastante sobre a prática, fui pesquisar e descobri que em 1978, o novo esporte nem nome tinha. Depois de muitos experimentos e com diversos tipos de uso de paraquedas surge o “para”pente”, para de paraquedas e “pente” em francês significa “encosta”. Esse é um paraquedismo de montanha que veio para solucionar a questão dos alpinistas que precisavam ter como descer das montanhas que escalavam. Genial, não é?

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Anna Paula Andrade
Jornalista, radialista. Potiguar daquelas que fala 'galado', 'boy, 'esse omi' e 'deixe de guerra'. Apaixonada pelo mar, mãe de cachorro e viajante mochileira. Sou dessas que disposição é meu sobrenome. Uma ótima consultora para assuntos gerais e comentarista da vida alheia. Chega mais, por que eu adoro uma novidade!

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