A bizarra história do gordinho ostentação

Eni Augusto de Carvalho Lima tem 28 anos e é filho de dois políticos. O pai é ex vice prefeito da cidade de Parnamirim e a mãe a atual vice prefeita de Várzea. Ambas cidades do Rio Grande do Norte.

Ele ficou conhecido como “Gordinho Ostentação” depois de aparecer em um vídeo na internet, visivelmente bêbado, rasgando uma nota de R$ 100 para provar o quão rico é.

E não ficou só nisso.

Há outros três vídeos onde ele ostenta a sua posição econômica. Em um, aparentemente embriagado e dirigindo um carro, ele diz ter gastado R$ 2,5 mil em um final de semana. Noutro, toma uma dose de Whisky quando afirma que “a vida não tá fácil para ninguém, principalmente para a classe média”. O terceiro mostra uma mulher dormindo em um quarto enquanto ele pronuncia “gata se bota para dormir na fazenda”.

A história fica ainda mais bizarra depois da repercussão.

Ao tentar melhorar a imagem, o “Enilionário” – sim, este é o termo usado no próprio vídeo – aparece com um amigo doando cestas básicas para uma instituição que combate o câncer infantil. Ele se diz “empresário” para tentar desmentir o rumor – provavelmente verdadeiro – de que não passa de um pobre coitado sustentado pelos pais.

O mais lamentável disso tudo é saber que Eni não é o único jovem rico, improdutivo, exibicionista e deficiente de qualquer mínima faculdade mental no Brasil. Ele é mais um dos que herdam uma fortuna que vem de gerações antes dele, sem se preocupar em produzir, ou em pelo menos fazer da sua vivência e da sua condição favorável algo minimamente digno.

É o Playboy da pior estirpe, filho de pais que deveriam se envergonhar por terem falhado na educação do rapaz e nem dado condições para ele ser diferente do ser humano estúpido que é hoje.

Talvez o “gordinho ostentação” não saiba, mas o que ele faz, em um país profundamente desigual como é o Brasil, é uma afronta aos milhões que batalham diariamente para garantir aqueles R$ 100 para colocar comida da mesa. Dinheiro que, de forma arrogante, ele rasgou.

E não é difícil imaginar que o tal do Gordinho Ostentação só pode viver em outro mundo. Um que não conhece a realidade do país que vive nem a necessidade que o Brasil tem de pessoas produtivas e solidárias. Um conto de fadas que faz com que ele, em uma posição melhor – e ainda filho de políticos – não movimente uma palha para tentar mudar e melhorar a realidade que o cerca.

Pelo contrário, ao rasgar os R$ 100 e pregar essa ostentação babaca, faz pior. Zomba da diferença social que marca o Brasil e contribui ainda mais para que o ódio entre as classes sociais aumente. Por isso tantos repudiam e se sentem ofendidos com os vídeos.

Eni é, infelizmente, mais um bobalhão condenado a uma existência medíocre e que torço que o futuro e a eventual maturidade do nosso país faça o favor de extinguir.

*Nota da edição: em função da dúbia interpretação que pobre e interior acrescentam às cidades mencionadas, ambos os adjetivos foram retirados do texto.

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Jornalista formado pela UFRN. Fez o Curso Estado de Jornalismo Econômico do Estadão/FGV e o Rumos Jornalismo Cultural do Banco Itaú. News addicted. Apaixonado também por internet, cultura, política, mídias sociais, publicidade e pelo Palmeiras. Odeia azeitona.

Comentários

45 Comments

    1. Fico impressionado com a “irracionalidade” do ser humano. Pessoas fumando, ingerindo álcool e agindo na inconsequência, o “jeitinho” brasileiro em tudo, uma “mentirinha” nos negócios, uma “traiçãozinha” ao cônjuge, NADA disso tem problema, aliás, conforme a circunstância, tudo fica aceitável socialmente (mentes condicionadas e programadas pela plataforma da matrix, que são as novelas). Trabalho durante o dia, noite e finais de semana e o que mais vejo em todas as cidades que transito são pessoas em idade produtiva, no meio da tarde, conversando em rodinhas de amigos sem sequer pegar em um livro, pesquisar uma nova forma de fonte de renda, etc. Para as pessoas que estão empregadas, em todos os lugares do Brasil, quando tenho a oportunidade de conversar com elas, fica evidente que a esmagadora maioria não aceita sair de sua “ZONA DE CONFORTO” e buscar informações sobre outras formas de receitas, como planejar melhor sua vida financeira, uma atividade a mais, etc. São estas mesmas pessoas que levantam a bandeira da “revolta” contra as “injustiças sociais”, etc. São hipócritas, neste quesito. Ao invés de protestarem contra a falta de investimentos na saúde, educação, segurança, infra-estrutura, estão preocupados com a Copa, com o seu time, com o vídeo-game, novela, etc. Obs.: Minha origem é humilde (pai assalariado e mãe vendedora de cosméticos), porém, ao invés de me juntar aos preguiçosos e hipócritas, prefiro passar finais de semana e noites planejando minha vida para obter melhores resultados em todas as áreas. ACORDEM PARA VIDA E DEIXEM DE SE PREOCUPAR COM QUEM ESTÁ SE DESTRUINDO OU “RASGANDO” UM DINHEIRO QUE, COMPARADO AO QUE O GOVERNO NOS ROUBA, É MIXARIA, e voltem a estudar e planejar sua própria vida para exigir atitudes mais funcionais de nossos governos (ou melhor, desgovernos).

  1. Talvez, do apartamento 702, com a cara nos livros, ele tenha esquecido de olhar a cidade vizinha, com indústrias e comércios que permitem o aumento dos fluxos de capitais, mercadorias e pessoas. Pobre é a maioria de seu povo, assim como os da capital do RN, mas o município, esse é rico.

    1. Talvez eu tenha me expressado mal, mas usei o adjetivo pobre em referência à maioria das pessoas do município, não o município em si. Vou trocar no texto e colocar uma nota na edição. Obrigado pelo comentário.

  2. Há muita coerência no texto, exceto usar o termo “pobre” ao qualificar as duas cidades Várzea e Parnamirim, beirando o sentido pejorativo do termo e, aparentemente, demonstrando certa desinformação a respeito. Parnamirim foi a cidade do RN que mais expandiu nos últimos 10 anos. Hj alguns dos endereços mais caros da grande Natal estão nos seus limites. Com relação à ostentação do filhite de idiota, só há uma coisa a acrescentar, cadeia nele. Cerca de 15 dias numa cela superlotada (pois não deve ter nem curso superior completo), o fariam refletir sobre algumas peculiaridades da realidade humana.

    1. Talvez eu tenha me expressado mal, mas usei o adjetivo pobre em referência à maioria das pessoas do município, não o município em si. Vou trocar no texto e colocar uma nota na edição. Obrigado pelo comentário.

  3. Esse e mais um babaca que esse nosso pais merda produz!
    Cada vez mais tenho vergonha de ser Brasileiro, mas também nao vejo outra saída a nao ser lutar individualmente pelo que acredito ser o certo. Sem me preocupar em olhar, infelizmente, para os lados. Que cada um cuide do seu caminho

  4. Cadê os Direitos Humanos nessa situação? Propositadamente, mal interpretar ma jornaslista e acusá-la de 'incitadora da violência" sabem fazer, mas olhar para essa situação e cair em cima, não sabem não é?

  5. O vídeo feito com relação as doações foi feito anteriormente ao carnaval, e o fato citado por ter sido empresário é que o mesmo garante a sua renda mensal a partir de aluguel de imóveis.

  6. Em uma entrevista a um programa local que se dedica a cobrir festas, ele diz que em Natal há ostentação pq "todo mundo tem carro importado e casa bonita". Só queria saber se esse rapaz tem algum contato com a realidade ou vive tão chapado que não consegue ver o que está a sua frente

  7. Eu o vi exibindo e rasgando duas notas de cem reais, eu conheço gente que trabalha em casa de família que ganha R$ 300,00 por mês, daí quando você vê um idiota desse com um comportamento bizarro como esse, você se pergunta: Onde é que vamos parar com tanta hipocrisia? Porém o mais absurdo de tudo isso foi a mãe do mesmo dizer que as notas eram falsas, que eram daquelas usadas em propagandas de empréstimos, mas que mesmo assim ela não aprovava tal atitude. Depois dessa cheguei a conclusão de que quem sai aos seus não degenera. Mãe ridícula filho idem.

  8. Parnamirim é sim do interior, integrando a RMN, mas o seu PIB é o terceiro do RN e o 30° do Nordeste, atrás de Natal e Mossoró com o 1° e 2° maior PIB do RN respectivamente. Pobre não é, tem riqueza mal distribuída como qualquer cidade brasileira.

  9. Isso é coitado! Que provavelmente vive nas custas dos pais politicos! Quero ver um babaca deste ralar para conseguir os R$ 100,00 rasgados por ele, com o proprio suor! Onde este dinheiiro todo mundo sabe vem das custas de trabalhadores que sustentam os pais vagabundos que ele tem e por tabela sustentam um gordo vagabundo! tem pessoas que trabalham 4 meses da vida deles para conseguirem R$ 2500 coisa que ele gasta num fds! Vai trabalhar vagabundo p ver o qt é dificil ganhar R$ 2500!

  10. Que frescura é essa, deixa o cara gastar o dinheiro dele do jeito que ele quiser. Ele gastando tá contribuindo com dono de bar, promoter de festa, etc, etc…

    Se ele conseguiu esse dinheiro de forma ilegal aí é outra história, tem que ser investigado e punido. Mas fazer crítica só porque ele gosta de mostrar o que faz em videos é bobeira. O dinheiro é dele e ele faz o que quiser.

  11. Parnamirim e sim uma cidade pobre. Limita-se a ser uma cidade dormitório administrada pela dinastia Alves através de um prefeito que nada mais é do que um testa de ferro do eterno prefeito Agnelo Alves. O comentado crescimento da cidade está em grande parte restrito ao bairro de Nova Parnamirim onde vive boa parte da emergente classe média da Grande Natal. A prefeitura arrecada muito dinheiro em Nova Parnamirim e não realiza lá absolutamente nada. Excetuando Nova Parnamirim, Cotovelo, Pirangi e Emaus, o restante da cidade não passa de uma periferiazinha suburbana da região metropolitana do Natal.

  12. Gente dizendo que o PIB por se o terceiro do RN e o 30° do Nordeste não é pobre! Jesus amado.. o 1° do Nordeste é pobre.. aliais o 1° do Brasil é pobre… Não existe nenhuma cidade neste país que seja rica o suficiente para rasgar dinheiro!

  13. Mais triste de tudo é constatar que, sendo ele filho de políticos, muito provavelmente, no futuro, enveredará por esse caminho também. Se isso acontecer, imaginem que tipo de político essa peça se tornaria…

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