5 dicas infalíveis para você não cair mais em boatos

Há três meses, escrevi um texto que falava o quanto é fácil manipular informação em prol de outros interesses na internet. Nele, defendi a tese de que empresas, governos, partidos políticos são mais afeitos a esse tipo de coisa do que a face mais visível da mídia como o senso comum sugere.

A reflexão veio antes da onda de informações falsas que andam se espalhando via Whatsapp. O aplicativo de celular, que facilita a troca de mensagem, mostrou ser também muito eficiente para a propagação de boatos. Em Natal, essa onda foi tão forte que chegou até mesmo a chamar a atenção da polícia por despertar pânico na população.

Como praticamente nenhuma informação falsa é impune, a grande parte é munida de interesses, sejam políticos, sejam econômicos, ou até pelo mero narcisismo do mentiroso em ser famoso, elaborei cinco dicas infalíveis para evitar cair nessas armadilhas.

1 – Desconfie de tudo, mesmo daquele seu melhor amigo

Mistério com avião da Malaysia gerou uma série de boatos e teorias da conspiração
Mistério com avião da Malaysia gerou uma série de boatos e teorias da conspiração

“Ah, ele é muito meu amigo e está dizendo, então é verdade”. É comum na internet as pessoas atribuírem mais credibilidade àquelas que conhecem, do que em sites sérios ou em bons jornalistas. É legal isso para a recomendar produtos e preços, por exemplo, mas para notícias e informação nem tanto. Até o seu melhor amigo pode ter sido engado por alguém que, provavelmente, ambos não conhecem. Então mesmo que ele chegue para você dizendo que acharam o avião da Malásia no quintal da casa da vizinha, dizendo que tem um vídeo provando isso e que aquela é a maior verdade do mundo, mantenha o pé atrás.

2 – Procure a fonte da informação (às vezes uma rápida pesquisa no Google resolve)

pesquisas no google

A técnica é simples e eficaz na maior parte dos casos. Tem um boato rolando? Coloque-o no Google. O sistema de buscas vai pesquisar todos os locais que saiu e, em questão de segundos, vai comprovar para você se aquela notícia que todo mundo comenta é real ou não. Provavelmente, ele vai listar logo de cara algum site desmentindo aquele “fato”. É uma boa prática e que vai garantir, ao menos, uma checagem àquela informação que chegou na sua timeline ou apareceu no Whatsapps.

3 – Se a coisa é muito bizarra, provavelmente é falsa

BFVqWrkCMAAXmm6

Não tem aquele ditado que diz que “se o milagre é demais, até o santo desconfia”. Use a mesma lógica para a internet. Se a história for fantástica demais, por mais que a fonte seja de credibilidade – quem não se lembra dos golfinhos assassinos do Estadão? – ela é provavelmente falsa. Verifique de onde a história saiu, veja se ela foi reproduzida em sites sérios e fique sempre com o pé atrás. Afinal, infelizmente, a vida não é feita do realismo fantástico do García Márquez.

4 – Varie as fontes de informação

g1378694453963229289

Uma das boas coisas da internet é que ela permite que você acesse várias fontes de informação diferentes. Alguém espalhou uma notícia que viu em site x que o Godzilla apareceu no Japão, é real e tem até um vídeo (essas notícias falsas e bizarras sempre têm vídeos), procure o site x, mas não fique só nele. Vá atrás de outros sites, principalmente àqueles acostumados a trabalhar com notícias. O ideal é também, caso você tenha algum domínio do inglês, checar a informação em sites do exterior. Uma informação falsa dificilmente resiste a essa variação de fontes e checagens.

5 – Questione até o que parece verdade

Kim-Jong-Un-7

A notícia parece verdade. Foi difundida em vários sites de credibilidade. Não é bizarra. E resistiu a todos os testes de checagem. Mesmo assim, ela pode ser falsa. Uma recente foi a que dizia que o ditador da Coréia do Norte obrigara todos os homens universitários do país a adotarem o mesmo corte de cabelo dele, veiculada em sites como a BBC, em um país com um ditador sabidamente maluco e extremamente controlador e que já tinha, anteriormente, sugerido cortes de cabelo para a população. Ela tinha tudo para ser verdadeira. Mas não era e foi depois desmentidas por pessoas que estiveram recentemente no país. Ou seja, nem o que parece real, muitas vezes, é real.

Previous ArticleNext Article
Jornalista formado pela UFRN. Fez o Curso Estado de Jornalismo Econômico do Estadão/FGV e o Rumos Jornalismo Cultural do Banco Itaú. News addicted. Apaixonado também por internet, cultura, política, mídias sociais, publicidade e pelo Palmeiras. Odeia azeitona.

Comentários

2 Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *