Não sei se vocês lembram, mas já falamos aqui sobre o Festival Literário de Natal (FLIN) desse ano. Afinal, não é qualquer evento que conta com as presenças ilustres dos nomes nacionais: Arnaldo Antunes e Adriana Calcanhoto.

Mas, o Festival não se resume a dois nomes mesmo, a programação está farta de atrações começando no dia 06 de novembro, quinta e finalizando no sábado, 08.

O grande tema central do II FLIN será a poesia e todas as suas formas – falada, escrita e musicada.

O evento permanece ainda no mesmo local do ano passado, na Praça Augusto Severo, na Ribeira e é promovido pela prefeitura através da Secretaria de Cultural de Natal/Funcarte.

Confiram a programação completa que saiu no site oficial. 

Quinta-feira, 06 de novembro

Praça Augusto Severo/Ribeira

Local: Tenda dos Escritores – Praça Augusto Severo

14h às 16h – “Concerto Leitura” com Ronaldo Correia de Brito

A palavra viaja por muitos caminhos na escrita de Ronaldo Correia de Brito (Saboeiro, CE, 1941). Além de grande contista e romancista, é dramaturgo, documentarista e psicanalista. Autor do romance Galileia, com o qual venceu o Prêmio São Paulo de Literatura/2009, também se destacou nas publicações de contos, em especial Faca, Livro dos Homens e Retratos imorais. Seu romance mais recente é Estive lá Fora, onde retoma o fio de memória de Galileia tendo como contexto histórico o período do regime militar. Ronaldo Correia de Brito também escreve para o leitor infanto-juvenil, e é para ele que o escritor dedicará este “Concerto Leitura”, no qual selecionou especialmente contos, poemas, crônicas que serão lidos ao vivo, com intervenções de música e canto tendo a participação do músico e compositor Tomás Brandão e banda. As narrativas incluem Luís da Câmara Cascudo (“Contos tradicionais do Brasil” /Edições de Ouro) e trechos da novela infanto-juvenil “O pavão misterioso” de sua autoria, entre outros.

Local: Espaço do professor leitor – Auditório do Colégio Salesiano São José

14h – Recitação da poesia “O Sonho Maluco”, do livro “O reino dos bichos”, de José Acaci, com Vívian Silva Araújo ( 3 anos de idade)

14h05 – “Os meus segredos com Capitú”

Conversa com Ana Elisa Ribeiro (MG)

Serão abordadas questões de leitura, produção de textos e produção editorial, que fazem parte do universo de toda pessoa que convive num mundo letrado. Esse tema permeia todas as crônicas publicadas no livro “Meus segredos com Capitu”, da escritora mineira Ana Elisa Ribeiro, lançado em 2013 (Jovens Escribas). A conversa tem fôlego para começar pelo processo de alfabetização, passar pelas leituras da adolescência (inclusive de Machado de Assis) e pelas tecnologias digitais de hoje. Ana Elise é autora também de Poesinha (Poesia Orbital, 1997), Perversa (Ciência do Acidente, 2002) e Fresta por onde olhar (InterDitado, 2008), todos de poesia. Na área de contos, publicou em coletâneas 69/2 contos eróticos e Como se não houvesse amanhã.

15h15 –Sessão de autógrafos com a autora no estande da Cooperativa Cultural

15h45 – “Uma leitura literária que mexeu com a minha cabeça”

Miriam Dantas de Araújo / Manuel de Azevedo e Pablo Capistrano (RN)

Será uma conversa envolvendo dois escritores e uma professora que é leitora voraz. Cada um (a) relatará a sua experiência com uma obra literária que marcou a sua vida de leitor. A apresentação sensível de três textos comoventes e dos seus respectivos autores, certamente, mobilizará os ouvintes a pensarem sobre as suas próprias trajetórias literárias.

17h- Sessão de autógrafos com os autores no estande da Cooperativa Cultural

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Local: Espaço Moacy Cirne – Praça Augusto Severo

17h30 – “Uma nova ficção: narrativas sobrenaturais potiguares”.

Com o editor Cleudivan Jânio (Editora CJA) / e autores: Raniere Lopes e Rafael Marques

Nascido em Natal, Rafael Marques sempre foi fascinado por filmes e histórias de terror que serviram de combustível para alimentar sua imaginação. Seu livro “Encontro Paranormal” traz uma atmosfera sufocante em meio ao desconhecido. Já Ronieri Lopes, autor de “A queda – O livro da Prisão”, conta uma história envolvendo um submundo habitado por grupos de anjos rivais. Ambos os autores foram publicados pela editora CJA.

18h30 – “Vidas potiguares: biografias de Newtom Navarro, Carlos Alexandre e Jesiel Figueiredo”

Com José Correia (Editor da Caravela Cultural) / Luana Ferreira / Sheyla Azevedo e Rafael Duarte (autores)

A proposta da editora Caravela Cultural para 2014 é das mais louváveis: reunir alguns dos melhores nomes do jornalismo local e produzir biografias de alguns vultos históricos de enorme envergadura e importância. Com essa ideia na cabeça, o editor José Correia arregaçou as mangas e lançou os livros dos autores Rafael Duarte (biografia do cantor popular Carlos Alexandre), Sheyla Azevedo (biografia do pintor e escritor Newtom Navarro) e Luana Ferreira (biografia do dramaturgo Jesiel Figueiredo). Os 4 participarão de um bate-papo sobre resgate de figuras históricas potiguares e os livros lançados no Espaço Moacy Cirne.

Local: Tenda dos Escritores – Praça Augusto Severo/Ribeira

Mesa 1 – 19h30

Tema “Oscar Niemeyer: arquitetura e literatura, duas artes em diálogo”

Com Guilherme Wisnik e mediação de José Gaudêncio

Com a mesma habilidade que desenhou croquis e curvas de concreto, o mestre da arquitetura moderna, Oscar Niemeyer, escreveu contos, relatos, memórias, crônicas e romances que o revelaram um escritor exímio no trato da palavra. A escrita leve e envolvente está presente em obras como Quase Memórias: Viagens, Casas onde morei, Sem rodeiros, O ser e a vida, Rio: de Província a Metrópole, Trecho de Nuvens, As Curvas do Tempo: Memórias, Diante do Nada, entre outros. Para conduzir essas interfaces artísticas na obra de Niemeyer, estará nada menos que um estudioso de sua obra, o urbanista, também arquiteto e filósofo Guilherme Wisnik (São Paulo). Formado em Arquitetura pela FAUUSP, Wisnik é Mestre em História Social, crítico de arte, articulista de veículos como Folha de S. Paulo, e tem centenas de ensaios e artigos publicados sobre arquitetura, arte e espaços urbanos. Publicou ainda os livros “Oscar Niemeyer” (Publifolha/2011) e “Espaços da Arte Brasileira”, em parceria com o arquiteto Lucio Costa (Cosac Naify/2011). O mediador José Gaudêncio Torquato é arquiteto, urbanista e escritor. Formado no curso de arquitetura e urbanismo pela Universidade Federal de Pernambuco, atua no RN há vários anos.

Mesa 2 – 20h30

Tema: “Poesia: do modernismo ao pós-tudo”

Com Arnaldo Antunes / Francisco Bosco / Antônio Cícero

Três poetas-letristas que transitam entre o popular e o erudito, na canção e no verso, estarão debatendo a poesia brasileira sob o prisma das vanguardas, do modernismo ao concretismo, do pós-modernismo a Augusto de Campos e o Pós-Tudo.

Antônio Cícero, poeta compositor e filósofo (Rio de Janeiro, 1945), escreve poesia, ensaios e canções de profundidade inigualável. Ao lado da irmã Marina Lima, formou uma das mais ricas e geniais parcerias musicais da MPB. Publicou livros de poesia e filosofia, ensaios e antologias que foram premiadas. Dentre suas obras mais importantes estão Guardar (Record, 1996) e A cidade e os livros (Record, 2002).

Definindo-se com um “operário da palavra”, Arnaldo Antunes (São Paulo, 1960) é sim um artista múltiplo. Poeta, compositor, músico, performer, o ex-Titãs é influenciado pelas ideias dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos, e sempre fez poemas com preocupação visual e musicalidade. Lançou Entre seus livros estão Como é que chama o nome disso, n.d.a., Melhores, ET Eu Tu, Palavra (Prêmio Jabuti na categoria poesia) e Dois ou mais corpos no mesmo espaço. Sua discografia conta com 11 álbuns lançados somente em carreira solo.

Representando outra geração, Francisco Bosco (Rio de Janeiro, 1976) também é poeta, letrista, filósofo e escritor. Filho do cantor e compositor João Bosco, é doutor em Teoria Literária pela UFRJ. Dentre os seus livros estão Banalogias (2007) e E livre seja este infortúnio (2010). Publicou também Alta ajuda (2012), onde reúne 35 ensaios publicados nos últimos sete anos no jornal O Globo e nas revistas Trip e Cult. Neles o autor compara seus textos a partidas de futebol de salão e reflete com perspicácia sobre o amor, o sexo, a inveja e a insônia, trazendo um olhar filosófico para temas extraídos do dia-a-dia.

Mesa 3 – 21h30

Tema: Literatura e música em performance: “Musicapoesia”

Adriana Calcanhotto e Cid Campos

A cantora e compositora Adriana Calcanhotto sempre inseriu em seu repertório material proveniente da poesia escrita, ao lado de letras de sofisticada feitura. O poeta, músico e produtor Cid Campos, por sua vez, tem-se especializado na área da poemúsica, um diálogo que começou com “Poesia é Risco” (1995), ao lado de Augusto de Campos, e continuou em seus CDs – solos, “No Lago do Olho” (2001), “Fala da Palavra” (2004), “Crianças Crionças” (2009) e “Nem” (ainda a ser lançado), com textos seus e de outros autores. Juntos, estarão apresentando algumas de suas composições voltadas à musicalização de poesia, que vão do “nonsense” de Lewis Carroll e Edward Lear, do pós-simbolismo inovador do baiano Pedro Kilkerry e do português Mário de Sá-Carneiro, ousando poéticas radicais como o concretismo de Décio Pignatari, Augusto e Haroldo de Campos, até as mais novas contribuições da geração de Antonio Cícero e Arnaldo Antunes. “Musicapoesia” é uma espécie de ao show apresentado pela dupla apenas uma única vez em 2007, também aqui em Natal.

Programação – Sexta-feira, 07 de novembro de 2014

Local: Tenda dos Escritores – Praça Augusto Severo

14h às 16h – “Concerto Leitura II” com Ronaldo Correia de Brito

Segunda parte do “Concerto Leitura” dedicado aos jovens, com o romancista e dramaturgo Ronaldo Correia de Brito, em parceria com o músico e compositor Tomás Brandão e instrumentistas convidados. Neste encontro, o autor do premiado romance Galileia fará novas leituras de narrativas curtas, além de abordar os processos de pesquisa e criação dos diversos gêneros literários – conto, romance, crônica, poesia e teatro. Os músicos também conversarão sobre o trabalho de criação musical para o teatro, a dança, o cinema e sobre a adaptação musical da prosa. Além dos contos já citados na primeira parte, estão incluídas leituras de “Baile do Menino Deus”, espetáculo teatral de Ronaldo Correia de Brito e Assis lima, com música de Antonio Madureira. conto Rainha sem coroa, do livro “Retratos imorais”, e da crônica Procura-se um personagem, do livro “Crônicas para ler na escola”, todos de sua autoria.

Local: Espaço do professor leitor – Auditório do colégio Salesiano São José/Ribeira

14h00 – “Autores norte-rio-grandenses e suas obras”

Carlos Fialho /José de Castro / Juliano Freire / Regina Azevedo

Será um encontro de escritores potiguares de diferentes estilos, alguns que publicam por editoras locais e outros por editoras de fora do estado. São autores consagrados pelos textos poéticos e/ou em prosa, cujas produções estão voltadas seja para o público infantil e juvenil ou para leitores mais autônomos. Consistirá numa oportunidade para cada um abordar sobre o seu processo criativo, traços característicos dos seus trabalhos, influências, últimos lançamentos.

15h15 – Sessão de autógrafos com os autores no estande da Cooperativa Cultural

15h45 – “Da leitora à escritora: Uma vida entre livros”

Clotilde Tavares (RN)

Será uma conversa com quem foi criada numa casa cheia de livros, numa época em que não havia televisão. O que poderia fazer uma criança a não ser ler? Assim foi a infância da escritora Clotilde Tavares, que narrará como passou de leitora a escritora, e conta como foi e continua sendo a sua vida rodeada de livros, os quais ela considera “queridos amigos de todas as horas”. Durante a conversa, ela também lê trechos de suas publicações e responde às perguntas da plateia.

17h00- sessão de autógrafos com a autora no estande da Cooperativa Cultural

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Local: Tenda Literária Moacy Cirne

17h30 – “Diversidade contemporânea: três vozes da literatura atual”.

Com o editor David Leite (Editora Sarau das Letras) e os autores: Ana de Sales (romance), Damião Nobre (crônica) e Leonam Cunha (poesia).

A editora potiguar Sarau das Letras tem em seu acervo alguns dos mais destacados lançamentos da literatura atual do Estado. Entre seus lançamentos recentes, foram escolhidos três autores de estilos diferentes, mas muito parecidos em seu talento extraordinário: a romancista Ana de Sales, o cronista Damião Nobre e o jovem poeta Leoman Cunha. Para falar das publicações, além dos autores, teremos a presença do editor David de Medeiros Leite.

18h30 – “Nosso amigo Moacy Cirne”.

Com o editor Abimael Silva (Editora Sebo Vermelho) Alex de Souza (jornalista) e Anchieta Fernandes (poeta)

O editor e proprietário do Sebo Vermelho, Abimael Silva, nos contará algumas das muitas e divertidas histórias que colecionou nos muitos anos de convivência de Moacy Cirne. Ao seu lado, estarão o autor Anchieta Fernandes, profundo conhecedor da literatura potiguar que acaba de lançar “Literatura RN – Livros selecionados”, e o jornalista, editor e escritor Alex de Souza, também nascido e criado em berço literário, fã de quadrinhos e ficção científica e pesquisador na área de Quadrinhos, Humor e Games na UFPB. Livros, literatura, autores, Poema Processo, Moacy Cirne e Sebo Vermelho estarão na pauta da conversa.

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Local: Tenda dos Escritores

Mesa 4 – 19h30

Tema: A poesia viaja

Eucanaã Ferraz / Francisco Alvim / Humberto Hermenegildo

Professor de literatura brasileira da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Eucanaã Ferraz (Rio de Janeiro, 1961) é autor de diversos livros de poesia, como Martelo (1997), Desassombro (2002), Rua do mundo (2004) e Cinemateca (2008), e do volume Vinícius de Moraes (2006), na coleção Folha Explica. Organizou os livros Poesia completa e prosa de Vinicius de Moraes (2004) e Nova antologia poética (2008), também de Vinicius, Letra só (2003) e O mundo não é chato (2005), de Caetano Veloso, além da antologia Veneno antimonotonia (2005).

Francisco Soares Alvim Neto ou simplesmente Chico Alvim, (Araxá, 1938) é poeta e diplomata brasileiro. Iniciou sua carreira no exterior como secretário da representação do Brasil junto à Unesco, em Paris. Foi cônsul-geral do Brasil em Barcelona (1995-1999) e na Holanda (1999-2003). Seu primeiro livro — Sol dos cegos (ed. do autor) — é de 1968. Junto de Antonio Carlos de Brito, Cacaso, marcava o aparecimento da primeira geração de poetas “pós-vanguardas”. Seguiu-se o livro Passatempo (Rio Frenesi, 1974) e O Corpo fora (Duas Cidades, 1988). Viveu um período em Brasília onde participou de movimentos de poesia marginal, tendo sido o organizador da célebre antologia Águas Emendadas (1977). Em 1988, a coletânea Poesias reunidas lhe rendeu outro Prêmio Jabuti.

Humberto Hermenegildo – É professor titular da UFRN. Atua como pesquisador no Núcleo Câmara Cascudo de Estudos Norte-Rio-Grandenses e é consultor/ parecerista das revistas Sociedade e Território (Natal), Vivência (Natal) e Investigações (Recife). É especialista em Literatura brasileira, crítica literária, modernismo e registro literário, com ênfase no estudo da literatura local e regional. É mestre em Teoria e História Literária pela UNICAMP e doutor em Letras pela UFPB.

Mesa 5 – 20h30

Mesa 5 – 20h30

Tema: “Sonorização Poética-visual”

Com Cid Campos, Carito Cavalcanti e João Batista de Moraes Neto (João da Rua)

Mais um encontro em que a palavra experimenta outras conexões com a poesia, música e imagem. Desta vez, Cid Campos divide a pauta com o “Poeta elétrico” Carito Cavalcanti e o crítico e professor João Batista de Moraes Neto. Filho do poeta Augusto de Campos,Cid Campos já nasceu no berço das vanguardas. Ainda pequeno ele ouvia, em casa, Webern, Cage, Varèse, Stockhausen, Beatles, Hendrix, Janis Joplin, João Gilberto e assistia a shows particulares de Caetano, Tom Zé, Novos Baianos. Nos anos 70, teve atuação intensa como baixista e compositor, assimilando a linguagem da música pop, do rock, do jazz e da MPB. Bebeu na fonte das linguagens alternativas e das ousadias da música popular pós-tropicalista, de Walter Franco a Arrigo Barnabé. Ao longo de sua carreira, participou de discos e shows de Walter Franco, Tom Zé, Péricles Cavalcanti e Adriana Calcanhotto, entre outros. Desde a década de 80 dedica-se a atividades musicais interdisciplinares. No campo audiovisual, dirigiu programas de vídeo-documentários da TV Cultura. Sua área de pesquisa, nos últimos anos, tem sido no campo da poemúsica, um diálogo que começou com “Poesia é Risco” (1995), ao lado de Augusto de Campos, e continuou em seus CDs – solos, “No Lago do Olho” (2001), “Fala da Palavra” (2004), “Crianças Crionças” (2009).

Artista de múltiplas linguagens, Carito Cavalcanti é arquiteto por formação, mas iniciou sua carreira na música como cantor e compositor da banda de rock Modus Vivendi, um dos grupos mais importantes da geração 80/90. Pioneiro na fusão música, poesia e imagem, Carito embarcou em um projeto paralelo, ao lado do guitarrista Edu Gomez, batizado de “Os Poetas Elétricos”. Surgia aí vontade de transcender ao rock, fazendo experimentações com as linguagens de sonorização do texto poético, às quais depois se somou o vídeo e a fotografia. Atualmente, sua área de interesse é o audiovisual, no qual já realizou vários curtas, entre vídeos experimentais, documentários, ficção e videoclipes musicais, sempre propondo a conexão música, poesia e imagem.

O mediador João Batista de Morais Neto é poeta e professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), e doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Publicou artigos e poemas no contexto da Geração Mimeógrafo, utilizando-se de pseudônimo João da Rua. É autor de Temporada de Ingênios e outros (2006); Geração Alternativa ou um alô pra Helô (ensaio – 2007); A canção e o absurdo revisitados (ensaio – 2001); Caetano Veloso e o lugar mestiço canção (ensaio – 2011); O veneno do silêncio (poesia – 2010).

Mesa 6 – 21h30

Espetáculo lítero-musical “Outra Hora da Estrela – Uma homenagem a Clarice Lispector”

Com Jussara Silveira (intérprete); Sacha Ambak (piano); Marcelo Costa (percussão); Muri costa (violão) e João Miguel Wisnik (narração) e Eucanaã Ferraz (direção)

Outra hora da estrela é um espetáculo lítero-musical, adaptação do livro A hora da estrela (1977), a mais conhecida obra de Clarice Lispector. Aqui revezam-se a voz do narrador – em trechos escolhidos do livro – e canções brasileiras que ajudam a recontar a história e criar a atmosfera clariceana. O espetáculo reconta a história de Macabéa, migrante nordestina em luta pela sobrevivência na cidade grande e, a um só tempo, o drama de seu narrador – máscara ficcional de Clarice –, que luta com a escrita para conseguir retratar um personagem distante de sua realidade socioeconômica. Além dos convidados, participam os músicos Sacha Amback (piano), Marcelo Costa (percussão) e Muri Costa (violão).

Sábado, 08 de novembro de 2014

Local: Tenda dos escritores – Praça Augusto Severo

15h – “Crianças Crionças”

Com Cid Campos

O poeta, músico e letrista continua aqui seu trabalho de musicalização da poesia, desta vez debruçando-se no universo infantil. Poemas de Edward Lear (1812-1888) e de Lewis Carroll (1832-1898) traduzidos por Augusto de Campos, pai de Cid, formam o núcleo de Crianças Crionças, o show-disco que já foi apresentado em vários palcos brasileiros. Nesta ciranda-constelação, rodam ainda poemas do próprio Augusto, de Haroldo de Campos (1929-2003), de Luis Turiba, de Paulo Leminski (1944-1989) e de Walter Silveira. Para o compositor, se o desenho permite às crianças um grau de empatia imediata pelo reconhecimento (do) visível, a música opera em esfera abstrata e menos aparente, livre da representação do mundo. Puro exercício de imaginação.

Local: Tenda Literária Moacy Cirne- Praça Augusto Severo

16h30 – “Muito além da poesia: o trabalho da Queima Bucha”.

Bate-papo com o Gustavo Luz (Editora Queima Bucha

O sábado começa com um bate-papo de extrema importância. Gustavo Luz, comandante da editora Queima Bucha, editora mossoroense que há quase 30 anos é referência no que diz respeito a publicação na área de cordéis e livros, fala sobre os novos caminhos da editora

17h30 – “Vidas vividas à margem: Marinho Chagas e Valdetário Carneiro”.

Bate-papo com Aureliano Medeiros (Editora Tribo) e os autores Paulo
Nascimento, Rafael Barbosa e Luan Xavier

Uma editora independente que, com apenas três anos de atuação, pensa com a maturidade de uma veterana. Assim é a Editora Tribo que traz ao Espaço Moacy Cirne um papo sobre duas vidas das mais interessantes que tiveram suas trajetórias relatadas em biografias da editora. Os jornalistas Paulo Nascimento e Rafael Barbosa (autores do livro “Valdetário Carneiro – A essência da bala”) e Luan Xavier, que escreveu a biografia de Marinho Chagas, um gênio de fim trágico e melancólico. Ambos conversarão com um dos editores da Tribo, Aureliano Medeiros.

18h30 – “A história que vira histórias: acontecimentos do passado que renderam narrativas”.

Bate-papo com Carlos Fialho (Editora Jovens Escribas) e os autores Márcio Benjamin e Pedro Cavalcanti

Márcio Benjamin recolheu diversos relatos orais e registros de lendas do interior nordestino para elaborar os contos de “Maldito Sertão”, contando histórias de suspense e terror com a maestria do excelente prosador que é. Já Pedro Cavalcanti preferiu buscar na História do Brasil, mais especificamente no Nordeste açucareiro e na guerra travada entre holandeses e espanhóis/portugueses, a matéria prima para compor sua série de romances denominada “Terra do Açúcar”. Para conversar com eles, o editor da Jovens Escribas, Carlos Fialho, falando também um pouco da editora que completa 10 anos em 2014.

Local: Tenda dos Escritores/ Praça Augusto Severo

Mesa 7 – 19h30

Tema: “Século XX: o Século de Ouro da poesia portuguesa e brasileira”

Com Gastão Cruz e Fernando Luís Sampaio (Autores/portugal) e

César Ferrario (Ator)

“Não é vida a imagem que se move”, desvenda o poeta português Gastão Cruz (Faro/Portugal, 1941) no livro ”Observação de verão seguido de fogo” (Móbile Editorial), obra recente com o qual é finalista deste ano do Prêmio Portugal Telecom de Literatura. Seus versos concisos e imagéticos bebem na fonte do teatro e da performance e são fontes límpidas para reflexão sobre o tempo e todas as suas implicações. Gastão Cruz é professor e dramaturgo. Estreou na poesia em 1961, participando do coletivo Poesia 61. Publicou ensaios e é um dos fundadores do Grupo de Teatro Hoje (Teatro da Graça). Vários livros conquistaram prêmios nacionais e internacionais. A sua poesia foi reunida no volume Os Poemas (Assírio & Alvim, 2009).

Fernando Luís Sampaio (Moçambique, 1960) estreou na literatura com a obra Conspirador Celeste (1981), ao qual se seguiram Sólon, Hotel Pimodan, Escadas de Incêndio e Falsa Partida, este último pela editora Assírio & Alvim, em 2005. Foi traduzido para o francês, espanhol, italiano, inglês e croata. Foi diretor do Festival Mergulho no Futuro (durante a Expo’ 98) e do IPAE (Instituto Português das Artes do Espetáculo, atual Instituto das Artes).

Cesar Ferrario (Mossoró-RN) é ator desde 1993, sendo um dos fundadores dos Clowns de Shakespeare. Com o grupo, já atuou em trabalhos como O Sonho de uma Noite de Verão, Noite de Reis, Megera do Nada, Muito Barulho por Quase Nada, Roda Chico e O Casamento do Pequeno Burguês. No fazer teatral também tem como interesse a gestão e funcionamento de grupos de Teatro. Após consolidar sua carreira no teatro, César Ferrario vem experimentando, desde 2013, a atuação na televisão. Trabalhou em alguns projetos da Rede Globo e viveu personagens marcantes, como o matador de aluguel Bigode de Arame, da minissérie Amores Roubados, e a novela das 23h O Rebu.

Mesa 8 – 20h30

“Maringhella, o guerrilheiro que incendiou o mundo”

20h30 – Mário Magalhães (autor) e Vicente Serejo (jornalista e mediador)

A vida de Carlos Marighella (1911-69) foi tão frenética quanto surpreendente. Militante comunista desde a juventude, deputado federal constituinte e fundador do maior grupo armado de oposição à ditadura militar – a Ação Libertadora Nacional -, esse mulato de Salvador era também um profícuo poeta, homem irreverente e brincalhão. O jornalista Mário Magalhães debruçou-se durante três anos na investigação minuciosa das várias facetas do biografado. Reconstitui com realismo desconcertante passagens pela prisão, resistência à tortura, operações de espionagem na Guerra Fria e assaltos da guerrilha a bancos, carros-fortes e trem-pagador. Mas também recupera a célebre prova de física respondida em versos no Ginásio da Bahia e poemas de amor. Isso sem negligenciar a influência internacional de Marighella e seu Minimanual do guerrilheiro urbano, guia que correu o mundo e virou cult nos anos 1960.

Para provocar o tema, estará como exímio entrevistador e contador de histórias Vicente Serejo. Jornalista profissional desde 1970, Serejo foi professor do curso de jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, é membro do Conselho Estadual de Cultura e da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, colunista diário do Jornal de Hoje, com a coluna Cena Urbana e cronista com três livros de crônicas publicados.

Mesa 9 – 21h30

Mautner: do Kaos ao Caos

Com Jorge Mautner e Ben Gil

Bate-papo e concerto lítero-poético-filosófico com Jorge Mautner (RJ, 1941) e o músico Ben Gil. Autor da trilogia literária conhecida como “A Mitologia do Kaos” (Deus da chuva e da morte, Kaos, Narciso em tarde cinza), Mautner publicou várias obras e compôs grandes sucessos musicais, como O vampiro, Maracatu atômico, Lágrimas negras, Samba dos animas. Em 2002 lançou o CD “Eu Não Peço Desculpas”, em parceria com Caetano Veloso. Jorge Mautner promete dedicar sua participação no FLIN às ideias e pensadores que mudaram o mundo. Abre espaço para Luis da Câmara Cascudo, com citações à sua obra, além de refletir sobre o pensamento de Gilberto Freyre, José Bonifácio, Joaquim Nabuco, Nietzsche, Machado de Assis, Sigmund Freud, Heráclito, São Paulo, Caetano Veloso, Castro Alves, Mallarmé, Baudelaire, Padre Antonio Vieira, Frei Caneca.

Exposição fotográfica “A Escrita dos Gestos” – Mostra Instituto Moreira Salles

Local: Memorial de Natal – Parque da Cidade

A mostra fotográfica, com curadoria de Paulo Roberto Pires, exibe 21 retratos de 16 escritores (com a participação especial de um compositor, Dorival Caymmi, cujo centenário de nascimento é comemorado em 2014). São imagens feitas por fotógrafos do acervo do Instituto Moreira Salles, como Marc Ferrez, Maureen Bisilliat, Edu Simões, Otto Stupakoff e Alécio de Andrade. Entre os retratados, estão Jorge Amado, Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, Adélia Prado, Ferreira Gullar, Ariano Suassuna, Carlos Drummond de Andrade, Otto Lara Resende, Machado de Assis, Euclides da Cunha e Ana Cristina Cesar.