Há exatamente uma semana, a psicóloga Natália Tâmara, de 24 anos, foi assassinada pelo seu vizinho de rua, Carlos André, 29. Um crime bárbaro contra mais uma mulher brasileira. Natália entrou para a estatística de uma mulher morta a cada 1h30 no país (IPEA).

Esse tipo de assassinato está inserido no que se chama feminicídio, que é o que acontece quando a mulher é morta, especificamente, devido ao seu gênero. É por isso, que este tipo de homicídio é considerado como a atitude mais extrema de violência MACHISTA que atinge as mulheres independente da classe social.

Vimos este ano que a presidenta Dilma sancionou a Lei do Feminicídio, que transformou em crime hediondo o assassinato de mulheres vítimas de violência doméstica ou de discriminação de gênero. E o que, na prática, essa lei traz de novidade? Basicamente, esse tipo de crime ganhou penas mais duras, visto que a Lei Maria da Penha não teve um papel eficiente na redução da violência contra a mulher.

É importante que se abra o debate sobre esses casos para singularizá-los e fazer com que a sociedade pare de ver esse tipo de violência como algo corriqueiro, ou que não se diferencia de crimes comuns, sobre os quais, inclusive, já existe legislação.

Não se trata de dar um tratamento diferenciado ou privilegiado às mulheres, mas sim oferecer uma assistência reforçada a um grupo da população cuja moral e integridade física encontram-se expostas a uma ameaça específica.

Se formos pensar no princípio de igualdade e da obrigação do Estado de garantir os direitos humanos, é preciso tratar juridicamente de maneira diferenciada situações que afetam de maneira distinta a cidadania. É para isso que serve a Lei do Feminicídio.

Toda mulher conhece o medo de estar andando sozinha na rua e se deparar com um homem. Pode não haver a mínima intenção no contato, mas o medo está dentro de nós, enraizado.

Por mais que lutemos diariamente por um maior espaço dentro da sociedade, não podemos negar que ainda sentimos medo.  Mesmo que conquistemos um alto cargo, nos deparamos com o assédio dentro do próprio ambiente de trabalho.

O que se sabe sobre o caso de Natália até agora é que ela ficou assustada ao receber “elogios” do então assassino. Qual mulher nunca passou por situação semelhante? Não se pode andar desacompanhada pelas ruas, porque, certamente, algum homem fará questão de soltar um comentário que nos rebaixe e nos oprima.

Natália estava na casa de Carlos e mesmo ao pedir socorro, não pôde conseguir ajuda e ao entrar em luta corporal, mais uma vez o homem teve mais força que a mulher, e acabou matando.

O grito de socorro de Natália ao se sentir ameaçada são compartilhados por muitas mulheres que passam diariamente por situações que as diminuem. Não se pode deixar que esses gritos sejam calados. O grito de Natália vive. Ecoa.

NOTA: Claro que a questão da força masculina e feminina não é uma regra. A força da mulher pode ser trabalhada e superar a do homem. O recorte aqui é feito em relação ao feminicídio.