Quais seriam os efeitos de uma substância tida como divina e que é usada há centenas de anos por índios no Amazonas?

Uma pesquisa desenvolvida desde janeiro deste ano no Instituto do Cérebro da UFRN pode oferecer algumas respostas.

Conduzida pelo professor Dráulio de Araújo, ela investiga os efeitos que a Ayahuasca tem no cérebro, além dos seus eventuais benefícios terapêuticos.

Para quem não sabe, a Ayahuasca é uma bebida produzida a partir de plantas encontradas na Amazônia. Ela é usada habitualmente em rituais xamânicos e possui como componente químico principal a dimetiltriptamina (DMT), que causa alucinações.

Há uma crença mística de que o DMT seria uma espécie de molécula do espírito. Tem um documentário interessante, disponível no Netflix, sobre esse potencial místico da substância, que coleta depoimentos de pesquisadores, xamãs e usuários no mundo inteiro.

Segundo o professor, os testes estão sendo feitos na própria UFRN e no Hospital Universitário Onofre Lopes. São 80 voluntários que fazem o uso controlado da Ayahuasca com seus efeitos medidos pelos pesquisadores.

Como está no início, ainda não há dados preliminares sobre o resultado da pesquisa. Mas há um grande potencial de a planta servir para o tratamento da depressão e de doenças como o parkinson, de forma mais eficiente, e sem os efeitos colaterais

O professor Dráulio de Araújo é pós doutor em neuroimagem funcional pela Universidade de São Paulo e professor titular do Instituto do Cérebro da UFRN. Para o projeto, coordenada uma equipe de 22 pessoas.

Araújo esclareceu que não há dados sobre efeitos negativos do uso da Ayahuasca na maioria das pessoas. Apesar disso, há grupos de risco.

“A substância é extremamente segura. Muito antes da ciência iniciar seu interesse por essa substância, e cada vez mais atestar sua segurança, vários grupos vinham fazendo uso regular da Ayahuasca. Se ela provocasse algum efeito adverso mais grave, certamente já teríamos notado, pelo tempo que essa substância vem sendo utilizada e pelo número de participantes em diferentes rituais.

Como qualquer substância que atua sobre o sistema nervoso central, naturalmente há grupos de risco. No caso da Ayahuasca, indivíduos com tendências a surtos psicóticos, por exemplo, parecem constituir um desses grupos. Além disso, podemos destacar que boa parte dos efeitos “difíceis” dizem respeito às reações somáticas, particularmente nausea e eventualmente disenteria. É importante notar que a Ayahuasca não tem efeitos aditivos (de vício), como é o caso do álcool e do tabaco, por exemplo”.

A pesquisa tem duração de dois anos. Caso os efeitos benéficos sejam comprovados, é possível que a bebida se torne um remédio poderoso e possa ser comprado em farmácias no futuro.

Neurociências

Natal é hoje referência em uma produção científica na área de neurociências. A história começou com o pesquisador Miguel Nicolelis, quando trouxe seu Instituto Internacional de Neurociências para Natal há alguns anos.

Hoje a cidade abriga dois centros de pesquisa de ponta na área: além da do Nicolelis, o Instituto do Cérebro, ligado à UFRN e que tem como um dos pesquisadores o neurocientista Sidarta Ribeiro.

Ribeiro é conhecido pelo trabalho que tem com sonhos lúcidos e seu potencial no aprendizado. Compõe também um grupo de cientistas que é a favor da legalização da maconha.

Ele já foi premiado pelo Trip Transformadores.

As palestras e textos do Sidarta são bem inspiradores e recomendo a todos.