Em tempos de ativismo barato de internet e ódio gratuito em redes sociais, lutas sociais como o feminismo – assim como tantos outros ismos – são muitas vezes estigmatizadas e diminuídas.

O que costuma ser um reflexo do montante gigantesco de desinformação, preconceitos e tabus que permeiam o movimento.
Mas nada que uma boa leitura crítica não resolva.

Pensando nisso, em clima de Dia Internacional das Mulheres e para te ajudar a descontruir e repensar sua percepção sobre feminismo e emponderamento, preparei uma listinha marota com dicas de sete livros que toda pessoa deveria ler.

Confira a seguir!

1 – Mulheres que correm com os lobos

‘Mulheres que correm com os lobos’ é provavelmente um dos melhores livros que já li na vida.

Escrito pela analista junguiana Clarissa Pinkola Estés – uma contadora nata diga-se de passagem – o livro traz uma visão estarrecedora de como nós, mulheres, somos ensinadas desde à infância a ignorar nossa natureza instintiva, aniquilar qualquer resquício de consciência e amor próprio e vivermos domesticadas.

Deixando de lado nossa essência selvagem e vivendo entorpecidas e sem energia.

No livro a autora faz um mapeamento histórico e social sobre contos de fada, lendas e mitos.

Nos ajudando a desvendar o real significado destes contos que já parecemos conhecer tão bem, mas que em realidade muitas vezes não somos capazes de compreender por si só as verdades contidas em suas entrelinhas.

Em ‘Mulheres que correm com os lobos’ conseguimos finalmente compreender que cada uma dessas histórias – aparentemente bobas e infantis – se referem na verdade a história das mulheres como um todo.

Mostrando como fomos perdendo o protagonismo de nossas próprias vidas, ficando apáticas, revelando as violências psicológicas a que fomos submetidas ao longo dos séculos e das quais ainda somos reféns.

Ler este livro é como se uma venda fosse retirada de seus olhos. Mais do que isso, o livro é um belo estudo sobre a alma feminina e certamente deveria ter um cantinho especial na cabeceira de cada mulher!

2 – Mulheres, raça e classe

Um verdadeiro clássico da teoria feminista, ‘Mulheres, raça e classe’ foi escrito por Angela Davis e certamente é uma leitura obrigatória para todos aqueles interessados em construir um mundo melhor e mais igualitário.

Ativista incansável dos direitos humanos, Angela Davis também é professora universitária e filósofa.

Duas vivências únicas, porém interligadas, que a permitiram ganhar uma visão mais abrangente sobre as causas que defende.

Assim como compreender o panorama histórico das quais fazem parte.

‘Mulheres, raça e classe’ não é um livro de uma causa só.

Talvez até por isso mesmo que ele ganhou tanta repercussão e aderência, por parte de seus leitores, ao longo dos anos.

Isto porque, neste livro em questão, Angela Davis mostra como todas estas lutas sociais fazem parte da mesma rede histórica e complexa da negação dos direitos humanos.

‘Mulheres, raça e classe’ não é um livro apenas sobre feminismo e sim um livro sobre a luta anticapitalista, a luta antirracista e antiescravagista.

Se você quer entender mais sobre gênero, raça e classe, este é certamente um ótimo livro para começar.

– Bônus: Além de ter uma diagramação linda e super convidativa, o livro está entre os 100 mais vendidos da Amazon.

3 – Sejamos todos feministas

Com uma pegada mais autobiográfica, em ‘Sejamos todos feministas’ Chimamanda Ngozi Adichie mostra a partir de suas vivências pessoais como ainda precisamos lutar muito para alcançar a tão sonhada igualdade de gênero.

De origem nigeriana, Chimamanda tem desempenhado um papel social importante através de seus livros.

Sendo inclusive reconhecida como uma das mais importantes jovens autoras desta nova geração de escritoras.

‘Sejamos todos feministas’ é um livro para mulheres e homens, sejam eles feministas declarados ou não.

Isto porque o livro dialoga com os dois públicos, mostrando-os como o feminismo é importante não somente para as mulheres e sim para a sociedade como um todo.

Para a autora o feminismo, além de ser libertador para as mulheres, também pode desempenhar um grande papel na vida dos homens – ao possibilitar que eles possam escolher viver uma vida livre dos estereótipos de masculinidade.

Uma dica boa para quem convive com crianças é o livro ‘Para educar crianças feministas’, da mesma autora.

4 – As boas mulheres da China

Quando li ‘As boas mulheres da China’, uns três anos atrás, não imaginei na época que este livro mexeria tanto comigo.

Embora os relatos se passem na China – que tem uma cultura bem diferente da nossa especialmente em relação ao trato com as mulheres – foi impossível não sentir uma identificação com essas mulheres tão guerreiras.

O livro é uma compilação das histórias narradas pela jornalista Xinran, até o ano de 1997, no programa de rádio ‘Palavras na brisa noturna’.

No programa ela discutia situações do cotidiano e ao seu modo falava sobre emponderamento e feminismo, talvez até sem nem ter noção do que estas duas palavras significam atualmente.

Ler este livro foi como receber um soco na boca do estômago a cada página percorrida até o final.

A leitura em si é fácil e o livro é bem fininho, mas o difícil é conseguir processar a história de tantas mulheres mal tratadas, assediadas, menosprezadas, humilhadas e aniquiladas só por terem nascido mulheres.

É difícil terminar o livro sem se sentir desamparada, mas com certeza essa é uma leitura necessária e que vale muito a pena.

5 – A Mística Feminina

Um dos livros mais importantes do século XX, ‘A Mística Feminina’ é considerado pioneiro em seu gênero.

O livro foi publicado pela primeira vez em 1963 e é um mix de manifesto feminista com entrevistas e crônicas sociais.

Em ‘A Mística Feminina’ Betty Friedan, autora do livro, nos presenteia com um mergulho profundo na vida íntima das mulheres das décadas de 40 e 50.

A partir de sua percepção aguçada sobre o comportamento feminino e os impactos da crise de 29 na vida de toda uma geração de mulheres, Betty destrincha o cotidiano e a criação das mulheres educadas para se tornarem mães e esposas zelosas.

No livro Betty mostra como este modelo de criação – que inclusive reverbera até os dias de hoje – levou tantas mulheres a desenvolverem doenças psicológicas como a depressão.

O bacana do livro é que ele também mostra como podemos quebrar esse ciclo.

6 – O segundo sexo

Escritora, intelectual, filósofa e ativista, Simone de Beauvoir é até hoje uma das principais referências em termos de feminismo e igualdade de gênero.

Embora tenha escrito inúmeros livros de importância social ímpar, ‘O segundo sexo’ é reconhecido por muitos como uma das suas obras mais importantes.

No livro ela analisa com maestria o modo como nossa sociedade patriarcal percebe e se relaciona com as mulheres.

A ideia do livro é a de expor e tentar desconstruir os mitos e preconceitos que condicionam o modo como somos percebidas pela sociedade.

Para isso Simone se debruça sobre as esferas político, social, sexual e psicológica.

7 – A política sexual da carne

‘A política sexual da carne’ é um livro/estudo que ganhou grande repercussão principalmente entre vegetarianos e veganos, mas que na verdade tem muito a acrescentar a causa feminista.

O livro é o resultado de anos de análise, coleta de dados e testemunhos, ativismo e vivências pessoais da escritora e pesquisadora americana Carol J. Adams.

‘A política sexual da carne’ me faz pensar no livro da Angela Davis, a partir do momento em que ambas relacionam o modo como as lutas sociais estão conectadas entre si e como uma reflete a outra.

No livro Carol mostra como nossos hábitos alimentares, enquanto carnívoros, é furo de uma sociedade patriarcal em que a violência e o poder são sinônimos.

A proposta do livro é nos fazer refletir sobre o modo como tratamos os animais estar intrinsecamente relacionado a maneira que percebemos as mulheres.

De modo que a tese central do livro é a de que a matança de animais e a violência contra a mulher não são indiferentes uma a outra.

A autora propõe assim a reflexão sobre nossos hábitos alimentares e o modo como nos relacionamos com a comida, as relação de poder predominantes e a hipersexualização de mulheres e animais.

E você, conhece algum livro bacana que deveria ter entrado nessa lista? Me conta aqui nos comentários!